Há cerca de um ano, as Baterias Universitárias de Maringá deixaram de realizar ensaios no Ginásio Chico Neto, na Vila Olímpica. A mudança ocorreu após a Prefeitura não renovar a autorização de uso do espaço. A justificativa do Município é que moradores da região haviam relatado incômodos relacionados ao volume e à frequência dos ensaios.
Segundo Julia Passeri, ex-presidente da Bateria Galo Terror, o impedimento foi comunicado aos grupos com o argumento de que havia muitas reclamações da comunidade da Zona 07. Ela afirma que, na época, a Secretaria de Esportes informou que buscaria outro espaço para que as baterias continuassem as atividades, mas que o retorno não ocorreu.
“Pelo que eu entendi, a galera até foi atrás, mas ninguém deu um retorno, então ficou por isso”, afirmou.
Procurada pelo Maringá Post, a Secretaria de Esporte e Lazer informou que o assunto foi debatido em uma reunião com representantes da Prefeitura, da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e das baterias. Segundo a pasta, a UEM disponibilizou um espaço interno da instituição para a continuidade das atividades das atléticas dos cursos.
A Prefeitura também informou que a não renovação da autorização ocorreu após “solicitações da comunidade do entorno”. O Município afirma que residentes relatavam transtornos relacionados ao volume e à frequência dos ensaios realizados no local. Entre os moradores citados na nota estão idosos, pessoas com transtorno do espectro autista e cidadãos com outras necessidades específicas, que apontavam prejuízos ao bem-estar e à qualidade de vida.
Novo local
Durante alguns meses, as baterias ficaram sem espaço fixo para treinamento e precisaram custear um local para realizar os ensaios.
De acordo com Passeri, representante da Liga das Baterias Universitárias, os grupos buscaram apoio junto à Reitoria da UEM e conseguiram utilizar um espaço cedido pela instituição. Apesar da solução, ele afirma que a mudança trouxe dificuldades para a rotina das equipes.
O novo endereço, segundo ela, fica mais distante do Chico Neto, o que interfere na logística dos ensaios e no rendimento dos grupos.
Regras de ruído
A legislação municipal estabelece regras para controle de ruídos em Maringá. A Lei Complementar nº 218/1998, que trata da poluição sonora no município, define limites para emissão de sons e prevê exceções para ruídos produzidos por fanfarras ou bandas de música em situações específicas, como procissões, cortejos e desfiles cívicos.
A norma também estabelece critérios para atividades que utilizam fontes sonoras e prevê necessidade de autorização municipal em determinadas situações.

Baterias Universitárias
Uma bateria universitária é um grupo musical de percurssão formado por estudantes. Muito comuns nas universidades brasileiras, elas são associadas a cursos e atléticas. Entre os instrumentos presentes, estão os surdos (marcação, resposta e corte), caixa, repique, tamborim, chocalho e agogô. Para Julia Passeri, a bateria é considerada uma forma de “permanência”, onde os estudantes podem respirar e se divertir após períodos cansativos de estudo. “Você está ali na faculdade, é complicado. Mas aí no final do dia tem um grupo de pessoas tocando um instrumentos de percurssão e você se encontra”.


















