Descentralização marca a história recente na gestão da UEM, explica o reitor

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A história administrativa da Universidade Estadual de Maringá (UEM) registrou um fato inédito em sua trajetória recente. Historicamente concentrada no campus-sede, a governança da instituição passou a ser liderada, pela primeira vez em 56 anos, por um professor com base de atuação em um campus regional. O movimento reflete a consolidação da política de expansão e a maturidade das unidades localizadas fora do eixo central da instituição.

 

A reconfiguração na dinâmica do poder universitário ganhou força com a chegada da atual gestão, em outubro de 2022. O reitor eleito, professor Leandro Vanalli, embora tenha iniciado seus vínculos com a instituição em Maringá na década de 1990 — inclusive em funções técnicas e operacionais na juventude —, consolidou sua carreira docente e de pesquisa no campus regional de Umuarama, a partir de 2006.

 

Para o comando da universidade, esse deslocamento geográfico na tomada de decisões representa um amadurecimento institucional relevante, especialmente em uma estrutura composta por sete centros de ensino que funcionam como faculdades internas. “Eu sou o primeiro reitor de um campus regional. O campus de Umuarama nunca teve um reitor, também nunca tinha tido um diretor de centro, um vice-diretor”, aponta Vanalli.

 

Portfólio técnico e articulação

A ascensão de lideranças oriundas do interior do estado para os cargos mais altos da administração universitária exige o cumprimento de percursos burocráticos e técnicos complexos. No modelo de governança da UEM, o trâmite até a reitoria pressupõe o acúmulo de resultados práticos em cargos intermediários, como coordenações de cursos, chefias de departamentos e direções de centros de ensino.

 

O processo de descentralização também foi impulsionado pela própria experiência prévia de Vanalli na carreira técnica da instituição, o que ajudou a manter canais de diálogo abertos entre as bases do interior e os setores administrativos de Maringá. Essa rede de conexões internas mostrou-se estratégica para superar o isolamento político que frequentemente afeta as unidades regionais em períodos eleitorais.

 

“A rede foi se formando com trabalho, resultados, porque ninguém chega a lugar nenhum se não tiver resultados. Um portfólio, que é a palavra moderna, você vai construindo”, analisa o reitor, cuja chapa venceu o pleito de 2022 ainda no primeiro turno, superando outras três candidaturas concorrentes.

 

Legado para as próximas sucessões

A consolidação de um modelo de gestão que contempla a representatividade dos campi regionais deixa um precedente para as próximas disputas eleitorais da instituição. O cenário demonstra que a capacidade de articulação e a entrega de resultados práticos tornaram-se critérios soberanos, independentemente da lotação geográfica do docente.

 

Com o encerramento do atual mandato previsto para outubro deste ano, o debate sobre a manutenção de uma estrutura administrativa descentralizada e inclusiva deve continuar na pauta dos conselhos superiores e dos departamentos. O objetivo central permanece sendo o fortalecimento da UEM como uma instituição unificada e de impacto em todo o Paraná.

 

Serviço

O episódio completo do podcast Ponto a Ponto com o reitor Leandro Vanalli está disponível no canal do Maringá Post no YouTube.

Apresentação: Ronaldo Nezo

Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio