Durante entrevista coletiva do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) na sede do Corpo de Bombeiros de Maringá, o coordenador de operações do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), Marco Jusevicius, esclareceu dúvidas frequentes da população sobre a precisão e a antecedência dos alertas emitidos antes de tempestades extremas. A manifestação ocorreu após questionamentos sobre a dificuldade de emissão prévia de avisos antes do tornado F2 que devastou Maringá na madrugada de segunda-feira (2). Ele esteve presente na entrevista coletiva ao lado do governador Ratinho Júnior, no inicio da tarde hoje.
Tempestades disruptivas
Segundo Jusevicius, existe uma diferença fundamental entre a previsão do tempo convencional — aquela acessada diariamente em aplicativos — e o monitoramento em tempo real de tempestades severas via radares e sensores de descargas atmosféricas. “A previsão do tempo te dá um cenário para o dia inteiro. Já tempestades como a de Maringá ganham força muito rápido e em cima da área. Essa tempestade já vinha sendo monitorada, mas sobre o município ela ganhou muita força e se tornou um tornado. Isso é questão de minutos” , explicou o coordenador do Simepar.
O especialista explicou que a evolução do fenômeno foi tão veloz que superou a capacidade técnica de disparo de alertas por SMS em tempo hábil para a população. “Como a característica foi disruptiva, a tempestade teve um tempo de desenvolvimento muito rápido. Quando emitimos um alerta de curtíssimo prazo (15 a 30 minutos), a intenção é avisar onde o evento vai cair. Às vezes a tempestade perde força no caminho e fica a percepção de que o alerta foi desnecessário. Mas o pior cenário é o contrário: quando não se notifica e o desastre acontece. Isso é um aprendizado contínuo, até mesmo nos Estados Unidos, onde os tornados são frequentes”, acrescentou.
16 tornados no Paraná
A ocorrência de tornados tem deixado de ser um fato isolado no estado. Somente em 2026, o Paraná já registrou 16 tornados. Para ampliar o alcance e a precisão do monitoramento de tempestades no estado, o Governo do Paraná e o Simepar investem na aquisição de três novos radares meteorológicos de tecnologia finlandesa e alemã.
Atualmente, o Norte do Paraná é coberto pelo radar instalado em Cascavel, além da unidade em Teixeira Soares. Com a expansão da rede, um dos novos radares será instalado especificamente na região Norte, garantindo leituras em menor tempo de resposta e maior antecedência nos avisos de emergência para municípios como Maringá, Londrina e Paranavaí. (com participação de Mari Parma)






