A permanência de Clarence Seedorf no comando do Corinthians passou a ser uma incógnita nesta segunda-feira (2). A Conmebol rejeitou o pedido de reconhecimento da licença de treinador do holandês, criando um novo obstáculo para o trabalho do profissional no futebol brasileiro.
A decisão não significa que Seedorf já tenha deixado o clube. O problema, porém, pode impedir que ele continue exercendo normalmente a função de técnico à beira do campo, caso não seja encontrada uma alternativa para regularizar sua situação.
Por que a licença foi rejeitada?
Seedorf possui a licença UEFA Pro, certificação de alto nível concedida pela entidade que organiza o futebol europeu. Entretanto, segundo informações publicadas nesta segunda-feira, a Conmebol exige pelo menos três anos de experiência profissional como treinador de equipes ou seleções principais para reconhecer a equivalência da qualificação.
O holandês soma aproximadamente 27 meses de experiência nessa função, período inferior ao exigido pela entidade sul-americana.
Ao longo da carreira como treinador, ele comandou o Milan, da Itália, em 2014; o Shenzhen, da China, em 2016; o Deportivo La Coruña, da Espanha, em 2018; e a seleção de Camarões, entre 2018 e 2019.
Apesar da experiência internacional e da licença europeia, esses requisitos não foram considerados suficientes para a validação solicitada.
Corinthians já havia regularizado o treinador
O impasse é diferente do problema enfrentado por Seedorf no início de sua passagem pelo clube. Em outubro, a regularização do treinador atrasou devido à documentação necessária para a obtenção do visto de trabalho no Brasil.
O Corinthians conseguiu resolver as pendências e, em 23 de outubro, o nome do holandês foi publicado no Boletim Informativo Diário (BID) da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
Na ocasião, Seedorf ficou autorizado a comandar a equipe à beira do gramado. A rejeição posterior da Conmebol, entretanto, abriu uma nova discussão sobre o reconhecimento de sua qualificação profissional.
O que pode acontecer agora?
A CBF deverá avaliar as alternativas para resolver a situação. Entre as possibilidades discutidas está a busca de uma forma de manter Seedorf no clube, embora sem a atuação normal de treinador à beira do campo enquanto o problema não for solucionado.
Uma eventual mudança de função, como o registro em outra posição na comissão técnica, também dependeria das regras aplicáveis e não garantiria, por si só, que ele pudesse continuar exercendo todas as atribuições de técnico.
Até o momento, a rejeição da licença não deve ser confundida com uma rescisão contratual. Seedorf tem vínculo com o Corinthians até dezembro de 2027, e a saída do profissional dependerá dos desdobramentos do caso e das decisões do clube.
Impasse em momento delicado
A situação surge em um período de pressão sobre o Corinthians, que contratou o holandês para tentar recuperar o desempenho da equipe no Campeonato Brasileiro.
Seedorf construiu uma carreira de destaque como jogador, com passagens por Ajax, Real Madrid e Milan, além de ter defendido o Botafogo no futebol brasileiro. Como treinador, porém, não trabalhava desde sua saída da seleção de Camarões, em 2019.
A questão agora é saber se CBF e Corinthians conseguirão encontrar uma saída regulamentar para manter o profissional no comando da equipe.
Por enquanto, a possibilidade de saída existe, mas não há confirmação de que o treinador tenha deixado o cargo ou de que o contrato tenha sido encerrado.






