Maringá — O avanço de ferramentas generativas de inteligência artificial abriu um debate intenso sobre a substituição de equipes criativas e a automação total de conteúdos digitais. Embora reconheça o salto de produtividade proporcionado pela tecnologia em processos de apoio, Valério Pereira fez ressalvas enfáticas quanto à perda de autenticidade decorrente do uso indiscriminado de avatares e clones sintéticos no audiovisual corporativo.
Em conversa com Ronaldo Nezo, o produtor explicou como os algoritmos inteligentes foram integrados à rotina de desenvolvimento do estúdio.
“A inteligência artificial é uma ferramenta fantástica para atuar nos bastidores. Nós utilizamos IA para organizar insights de roteiros, estruturar estratégias e tabular métricas. Na pós-produção, os recursos auxiliam na limpeza de áudio, no tratamento de cor e na inserção ou remoção pontual de elementos cenográficos. Nesses pontos, ela otimiza o fluxo de trabalho de forma extraordinária”, relatou.
A rejeição do público aos clones e à linguagem sintética
Por outro lado, Valério alertou para os riscos de terceirizar a presença do porta-voz da marca para softwares de geração de vídeo. A literatura da comunicação reforça que o engajamento genuíno repousa na empatia e nas microexpressões humanas, elementos que simulações digitais não conseguem replicar com naturalidade.
“Há quem venda a ilusão de que basta criar um clone digital para nunca mais precisar gravar um vídeo. Isso não funciona na prática. A novidade inicial passou e hoje o público identifica de forma escancarada quando a voz e a imagem são artificiais. Em vez de atrair, o recurso afasta, porque transmite falsidade”, advertiu o comunicador.
A perda de controle fino sobre os resultados de imagem também limita o uso corporativo de ponta a ponta: “Comandar vídeos inteiros por prompts não oferece consistência estética nem permite refações cirúrgicas exigidas pelo mercado. A tecnologia veio para somar como suporte, mas a credibilidade de um negócio continua dependendo do fator humano e da transparência”, concluiu.
Serviço
Apresentação: Ronaldo Nezo
Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio
Assista o episódio completo do podcast no canal do Maringá Post no YouTube.








