Coordenador do PL admite falta de provas sobre fraude eleitoral

Coordenador do PL admite falta de provas sobre fraude eleitoral
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil
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O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), reconheceu nesta quarta-feira (28) que não existem provas para sustentar a acusação de fraude nas eleições presidenciais brasileiras. A declaração foi dada após a divulgação de uma carta em que o candidato derrotado afirma que houve irregularidades no processo eleitoral.

Em entrevista coletiva no Senado Federal, Marinho afirmou que nem o Partido Liberal (PL) nem ele próprio podem confirmar a existência de fraude. “O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há provas nesse sentido”, declarou.

O senador também comentou a mudança no conteúdo da carta publicada por Flávio Bolsonaro na rede social X. Na primeira versão, o candidato se apresentava como o “verdadeiro presidente eleito do país”. Cerca de meia hora depois, o texto foi apagado e substituído por uma nova versão, na qual ele passou a se definir como “líder do Brasil”.

Marinho atribuiu a alteração a um possível problema na elaboração do documento. Segundo ele, Flávio representa atualmente uma das principais lideranças da direita brasileira, considerando o desempenho nas urnas.

Carta menciona suposta fraude eleitoral

No documento divulgado à imprensa, Flávio Bolsonaro questionou a lisura das eleições e criticou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de estender o horário de votação até as 19h. A medida atendeu a um pedido das campanhas do PL e do PT.

No segundo turno, realizado no domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu cerca de 64 milhões de votos, enquanto Flávio obteve pouco mais de 59 milhões.

Segundo os dados apresentados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a extensão do horário de votação resultou no registro de 34.393 votos. Ao todo, aproximadamente 158,7 milhões de eleitores estavam aptos a participar do pleito.

As acusações feitas por Flávio não foram acompanhadas de provas e contrariam o reconhecimento oficial do resultado pelo TSE. A eleição também foi reconhecida pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e por líderes internacionais. O próprio PL reconheceu a vitória de Lula.

Senador diz que Flávio está exilado

Ao comentar as declarações do aliado, Rogério Marinho classificou a carta como uma espécie de desabafo relacionado à saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. O senador afirmou que o parlamentar estaria em situação de exílio, embora tenha deixado o país voluntariamente.

Antes de viajar para os Estados Unidos, Flávio tinha uma determinação judicial para entregar os passaportes à Polícia Federal (PF). Ele deixou o Brasil em um avião de luxo fretado, que partiu da Argentina, e agora afirma que pretende liderar a oposição a partir do território norte-americano.

Marinho argumentou que o cenário no Brasil dificultaria a atuação política do aliado. “Na verdade, é o que ele pode fazer. Porque aqui no Brasil é impossível, pelo menos pelos sinais que estavam sendo demonstrados, que ele pudesse exercer esse papel [de líder da oposição]”, afirmou.

Flávio também é alvo de investigações relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Entre os casos mencionados estão uma apuração sobre possíveis operações envolvendo plataformas de apostas e outra sobre o financiamento do filme Dark Horse, que retrata a trajetória de seu pai.

Marinho descarta intervenção estrangeira

O coordenador da campanha também comentou a posição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou não pretender se envolver na controvérsia provocada pela carta.

Marinho disse que Trump tem legitimidade para se manifestar sobre questões internacionais, mas ressaltou que os problemas políticos brasileiros devem ser resolvidos internamente.

“Eu espero que não haja nenhuma intervenção no processo interno do Brasil”, declarou o senador.

* com informações da Agência Brasil