A Ri Happy, uma das principais redes de brinquedos do Brasil, pediu à Justiça a homologação de um plano de recuperação extrajudicial para renegociar R$ 827,4 milhões em dívidas.
O pedido, distribuído à Justiça de São Paulo, abrange seis empresas do grupo, incluindo a Ri Happy e a PBKids. O objetivo é reorganizar os compromissos financeiros e adequar os pagamentos à capacidade da companhia.
Até a divulgação das informações, credores responsáveis por R$ 308,8 milhões, equivalentes a 42,38% dos débitos incluídos no plano, já haviam aderido à proposta. A empresa precisa ampliar esse apoio para viabilizar a renegociação.
Juros altos e concorrência pressionam
Nos documentos apresentados à Justiça, o grupo atribui as dificuldades financeiras a uma combinação de fatores, entre eles os juros elevados, os efeitos da pandemia, as mudanças nos hábitos de consumo e a concorrência de plataformas internacionais de comércio eletrônico, como Shopee e AliExpress.
A empresa já havia renegociado cerca de R$ 292 milhões em dívidas bancárias em 2023. Mesmo assim, a pressão financeira continuou. Segundo informações divulgadas sobre o processo, o custo anual do serviço da dívida chegou a aproximadamente R$ 70 milhões.
A rede foi adquirida integralmente pela BluSun Capital Partners em agosto de 2026, em uma mudança de controle que ocorreu poucas semanas antes do pedido de recuperação extrajudicial.
Lojas devem continuar funcionando
A companhia informou que pretende preservar as operações, as marcas e os canais de venda. O grupo reúne centenas de lojas próprias e franquias e emprega mais de 2.600 pessoas.
A proximidade da Black Friday e do Natal torna a reorganização financeira especialmente importante para uma varejista que depende das vendas de brinquedos e produtos infantis.
A recuperação extrajudicial permite negociar condições de pagamento diretamente com credores e submeter o plano à homologação judicial. O pedido não significa falência nem determina, por si só, o fechamento das lojas.
O resultado dependerá da obtenção das adesões necessárias e da tramitação do processo na Justiça.














