O ensino superior brasileiro está recebendo cada vez mais estudantes com 50 anos ou mais. Entre 2015 e 2025, o número de pessoas dessa faixa etária que ingressaram em faculdades passou de 58,4 mil para 211,2 mil, um crescimento de 262%, segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
A expansão está diretamente associada à educação a distância (EaD), modalidade que permite conciliar os estudos com trabalho, família e outras responsabilidades.
Em 2025, a EaD respondeu por 80,4% dos novos ingressos no ensino superior entre pessoas com 50 anos ou mais. Nas instituições privadas, o crescimento das entradas nessa modalidade foi ainda mais expressivo: 509,5% no período analisado.
Pessoas com mais de 60 anos também avançam
O movimento não se limita aos estudantes na faixa dos 50 anos. Entre pessoas com 60 anos ou mais, o crescimento registrado no período foi de aproximadamente 388%, indicando que a busca por formação superior também alcança quem está mais próximo ou já chegou à aposentadoria.
Pedagogia aparece como o curso mais procurado por estudantes com 50 anos ou mais, seguida por Direito e Psicologia.
A escolha pode estar relacionada a diferentes objetivos: conquistar um diploma, mudar de profissão, melhorar as oportunidades no mercado de trabalho ou realizar um projeto que ficou para depois.
Flexibilidade e qualidade
A possibilidade de estudar em horários flexíveis e sem a necessidade de frequentar diariamente uma sala de aula ajuda a explicar a procura pela EaD.
O avanço, porém, também traz desafios. A permanência dos alunos e a qualidade da formação são pontos importantes para as instituições. O levantamento aponta evasão de 23,4% entre estudantes com 50 anos ou mais matriculados em cursos a distância.
Os números mostram uma mudança no perfil de quem procura uma faculdade no Brasil. A formação superior deixa de estar concentrada apenas na juventude e passa a integrar os planos de pessoas que buscam novas oportunidades em diferentes fases da vida.














