Curso de Medicina da UEM aprova novas regras de avaliação nacional

Coordenador acadêmico do curso de Medicina da UEM, professor Sanderland Gurgel, analisa a divisão da prova em três etapas, a exigência de nota mínima e a preparação da universidade
Foto: Ilustrativa/ASC UEM
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A aprovação pela Câmara dos Deputados da proposta que estabelece novas diretrizes para o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) foi recebida de forma positiva pela coordenação do curso de Medicina da Universidade Estadual de Maringá (UEM). A nova medida reestrutura o exame — existente desde 2025 para mensurar a qualidade do ensino e selecionar candidatos para a residência — determinando a aplicação da prova em três momentos da graduação (ao final do 2º, 4º e 6º anos) e fixando exigência de nota mínima para a obtenção do registro profissional.

Pelas regras de transição, os médicos já graduados com diploma obtido até 19 de junho de 2026 não passarão pelo teste. Os critérios de pontuação mínima e pesos de cada etapa serão definidos pela nova Comissão Nacional de Avaliação da Formação Médica, formada por representantes do Ministério da Educação (MEC), Ministério da Saúde e Conselho Federal de Medicina (CFM).

Para o coordenador acadêmico do curso de Medicina da UEM, professor Sanderland Gurgel, o fracionamento da avaliação permite corrigir falhas ao longo do processo de ensino, em vez de constatar eventuais defasagens apenas no momento do diploma.

Diagnóstico precoce e melhoria curricular

Na avaliação de Gurgel, a principal vantagem de aplicar o Enamed no 2º, 4º e 6º anos da faculdade é a possibilidade de monitorar de perto a evolução do estudante, permitindo intervenções pedagógicas em tempo hábil. “Vejo essa mudança como uma oportunidade de acompanhar melhor a formação dos estudantes. Quando a avaliação acontece apenas ao final do curso, identificamos dificuldades depois de seis anos, com menos tempo para corrigi-las. Com três etapas, podemos reconhecer essas dificuldades mais cedo e oferecer apoio ao longo da graduação”, destaca o professor.

O coordenador da UEM ressalta que cada etapa deve ter devolutivas claras para orientar o estudante e sinalizar ajustes necessários na própria estrutura curricular e nas atividades práticas oferecidas pela universidade.

A “OAB da Medicina”

Sobre a fixação de uma pontuação mínima para a diplomação e o exercício profissional — frequentemente comparada ao Exame de Ordem dos advogados —, Sanderland Gurgel entende que a medida traz garantias importantes para a população, mas enfatiza que o teste teórico não pode agir isoladamente. “Considero legítimo exigir um padrão mínimo de conhecimentos de quem vai cuidar da saúde das pessoas. Mas o exercício da Medicina exige conhecimento, habilidades práticas, comunicação, postura ética e capacidade de reconhecer limites. Por isso, defendo que o exame seja acompanhado de avaliações práticas e de observação do estudante durante os atendimentos, com supervisão qualificada”, aponta.

O docente acrescenta que a responsabilidade pelos desempenhos deve ser compartilhada com as faculdades: “Se uma instituição apresenta resultados insuficientes de forma persistente, suas condições de ensino precisam ser examinadas e corrigidas. A cobrança deve alcançar tanto quem está se formando quanto quem tem a responsabilidade de formar.”

Adaptações na UEM e atendimento ao SUS

Diante das mudanças, a UEM deve alinhar suas diretrizes ao plano de transição que será regulamentado pelo Ministério da Educação. Segundo Gurgel, o objetivo não será transformar a graduação em uma preparação focada exclusivamente na resolução de provas, mas sim reforçar o ensino prático, o treinamento em simulação clínica e a qualificação de professores e preceptores.

“Não vejo essa preparação como uma sequência de cursinhos para o Enamed. O estudante precisa conhecer o formato da avaliação, mas o compromisso da universidade é mais amplo: formar um médico capaz de atender pessoas, tomar decisões responsáveis e atuar de acordo com as necessidades da população e do SUS. Minha expectativa é que a nova avaliação ajude a fortalecer a formação médica”, conclui o coordenador.