Por Victor Ramalho e Iasmin Calixto – Maringá Post
Os 38 candidatos aos cargos de deputado estadual e federal que representaram Maringá e região nas Eleições 2026, mas que não foram eleitos, chegaram a gastar em alguns casos cifras superiores a R$ 120 por voto recebido. O levantamento foi realizado pelo Maringá Post nesta quarta-feira (14).
O valor é cinco vezes maior do que o voto mais caro entre os candidatos da região que foram eleitos, além de ser 100x superior aos gastos dos dois candidatos à Presidência da República que foram ao 2º turno.
A reportagem fez uma relação entre a quantidade de votos conquistados e as despesas declaradas pelos candidatos até esta quarta (14). Os dados foram obtidos através do Portal de Divulgação de Contas e Candidaturas (DivulgaCand) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em alguns casos, tratam-se de prestações de contas parciais, visto que as campanhas têm até o dia 3 de novembro para enviarem as declarações definitivas. Por isso, os valores estão sujeitos a alterações.
Ao todo, as 38 candidaturas não eleitas que representaram as cidades de Maringá, Sarandi e Marialva declararam gastos de R$ 3,9 milhões com suas campanhas e receberam, somadas, 266.713 votos. Na média, foi como se cada voto conquistado tivesse custado para os candidatos R$ 14,70. Mais de 80% dos recursos obtidos pelas campanhas dos respectivos candidatos são oriundos do Fundo Partidário, conforme também levantado pela reportagem junto ao DivulgaCand.
Ao todo, foram 23 candidatos a deputado estadual e 15 a deputado federal derrotados no dia 4 de outubro nesses municípios. O voto mais ‘caro’ entre eles foi do candidato a deputado federal Ricardo Maia (MDB). Até a manhã desta quarta-feira (14), o irmão do ex-prefeito Ulisses Maia (PSD) havia declarado gastos de R$ 423 mil com a própria candidatura. Ele recebeu apenas 3.437 votos, o que daria algo em torno de R$ 123 gastos por cada voto recebido.
Em segundo lugar entre os votos mais caros está a candidata a deputada estadual Mayara Keiko (União), também de Maringá. A candidata, que recebeu 1.536 votos, declarou à Justiça Eleitoral gastos de R$ 150 mil com a campanha, média de R$ 97 desembolsados por voto recebido.
Em contrapartida, o voto mais ‘barato’ entre os não eleitos da região foi o da vereadora de Maringá e candidata a deputada estadual, Giselli Bianchini (PL). Com 9.961 votos conquistados, a campanha da candidata declarou gastos de R$ 6,4 mil até o momento, média de R$ 0,60 por voto. Também entre os votos mais baratos está o do ex-prefeito de Sarandi, Walter Volpato (PSD), que fez 8.418 votos para deputado federal desembolsando, até o momento R$ 15 mil, média de R$ 1,70 gastos por voto. Veja a relação completa com os nomes de Maringá e região abaixo:
| ESTADUAIS | VALORES ARRECADADOS | GASTO COM A CAMPANHA | QUANTIDADE DE VOTOS | RELAÇÃO DE CUSTO POR VOTO |
| DANNY AROUCA (NOVO) | R$ 110 MIL | R$ 42 MIL | 5532 | R$ 7,50 |
| DR. BATISTA (PL) | R$ 364 MIL | R$ 215 MIL | 17909 | R$ 12 |
| DR. MICHEL (PP) | R$ 136 MIL | R$ 55 MIL | 2369 | R$ 23 |
| EMMANUEL PREDESTIN (MDB) | R$ 30 MIL | R$ 3,9 MIL | 149 | R$ 26 |
| EVANDRO ARAÚJO (PSD) | R$ 243 MIL | R$ 188 MIL | 30447 | R$ 5,90 |
| EVANDRO DA UNIFAMMA (REPUBLICANOS) | R$ 418 MIL | R$ 410 MIL | 8680 | R$ 47 |
| FABRIZIO MELLER (NOVO) | R$ 35 MIL | R$ 9,5 MIL | 912 | R$ 10 |
| FAUSTO HERRADON (AVANTE) | R$ 47 MIL | R$ 37 MIL | 4879 | R$ 7,50 |
| FLÁVIO MANTOVANI (PSD) | R$ 207 MIL | R$ 207 MIL | 9755 | R$ 21 |
| GISELLI BIANCHINI (PL) | R$ 120 MIL | R$ 6,4 MIL | 9961 | R$ 0,60 |
| JULIANA CANASSA (PP) | R$ 185 MIL | R$ 37 MIL | 719 | R$ 51 |
| LEMUEL RODRIGUES (PDT) | R$ 100 MIL | R$ 19 MIL | 6870 | R$ 2,70 |
| LUCAS CANASSA (NOVO) | R$ 44 MIL | R$ 29 MIL | 2511 | R$ 11,50 |
| OLGA AGULHON (PP) | R$ 190 MIL | R$ 105 MIL | 1404 | R$ 74 |
| GRASY TAKANO (PDT) | R$ 29 MIL | R$ 17 MIL | 1071 | R$ 15 |
| VERA NOGUEIRA (PT) | R$ 128 MIL | R$ 101 MIL | 2664 | R$ 37 |
| ZEBRÃO (PP) | R$ 83 MIL | R$ 36 MIL | 518 | R$ 69 |
| MAYARA KEIKO (UNIÃO) | R$ 254 MIL | R$ 150 MIL | 1536 | R$ 97 |
| BIANCO (PT) | R$ 90 MIL | R$ 68 MIL | 6400 | R$ 10 |
| SIMONE MARTINI (NOVO) | R$ 387 MIL | R$ 250 MIL | 13070 | R$ 19 |
| CARLOS EDUARDO (MISSÃO) | R$ 3,6 MIL | R$ 0* | 521 | 0 |
| RAFAEL POLY (MDB) | R$ 50 MIL | R$ 0* | 2581 | 0 |
| JOSÉ SANTOS (MOBILIZA) | R$ 1 MIL | R$ 0* | 140 | 0 |
Fontes: DivulgaCand/Tribunal Superior Eleitoral | Consulta realizada nesta quarta-feira (14)
*: candidatos que não apresentaram declarações de gastos à Justiça Eleitoral até o momento
| FEDERAIS | VALOR | GASTO COM A CAMPANHA | QUANTIDADE DE VOTOS | RELAÇÃO DE CUSTO POR VOTO |
| ADILSON DO BAR (PSDB) | R$ 75 MIL | R$ 48 MIL | 1733 | R$ 27 |
| DR. FRANCISMAR (PSB) | R$ 135 MIL | R$ 109 MIL | 1927 | R$ 56 |
| HOMERO MARCHESE (NOVO) | R$ 983 MIL | R$ 524 MIL | 29437 | R$ 17 |
| LEONNA MORIALE (PDT) | R$ 50 MIL | R$ 25 MIL | 1078 | R$ 23 |
| LUIZ NISHIMORI (PSD) | R$ 1,8 MILHÃO | R$ 451 MIL | 63347 | R$ 7 |
| MÁRIO CERTO (PSB) | R$ 125 MIL | R$ 34 MIL | 1013 | R$ 33 |
| PROFESSORA ANA LÚCIA (PDT) | R$ 391 MIL | R$ 389 MIL | 9190 | R$ 42 |
| PROFESOR JULIO RODRIGUES (PT) | R$ 64 MIL | R$ 53 MIL | 7787 | R$ 6,80 |
| RICARDO MAIA (MDB) | R$ 450 MIL | R$ 423 MIL | 3437 | R$ 123 |
| EDSON SCABORA (MDB) | R$ 313 MIL | R$ 200 MIL | 2123 | R$ 94 |
| SUBTENENTE DIONEY (PL) | R$ 16 MIL | R$ 7,5 MIL | 3632 | R$ 2 |
| MÃE GI (PDT) | R$ 30 MIL | R$ 4,4 MIL | 839 | R$ 5,20 |
| PAULO ESPÍNDOLA (NOVO) | R$ 98 MIL | R$ 56 MIL | 1350 | R$ 41 |
| WALTER VOLPATO (PSD) | R$ 129 MIL | R$ 15 MIL | 8418 | R$ 1,70 |
| ALBA SOARES (PDT) | R$ 25 MIL | R$ 11 MIL | 804 | R$ 13 |
Fontes: DivulgaCand/Tribunal Superior Eleitoral | Consulta realizada nesta quarta-feira (14)
*: candidatos que não apresentaram declarações de gastos à Justiça Eleitoral até o momento
Deputados eleitos por Maringá gastaram, em média, R$ 12,30 por voto recebido
Os oito deputados eleitos no dia 4 de outubro para representar Maringá na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) gastaram, em média R$ 12,30 por voto recebido. Ao todo, os dois maringaenses eleitos para a Câmara e os seis para a Assembleia Legislativa receberam, somados, 726.787 votos. Suas campanhas, por sua vez, movimentaram R$ 9,3 milhões em recursos recebidos, entre doações do Fundo Partidário e de pessoas físicas.
Quem teve o voto ‘mais caro’ entre eles foi o deputado federal Ricardo Barros (PP), reeleito para mais um mandato com 94.050 votos. Ele recebeu R$ 2,4 milhões para a campanha, conforme declarado por ele próprio nas prestações de contas parciais enviadas à Justiça Eleitoral. Na média, foi como se tivesse gasto R$ 25 por voto recebido.
Mário Verri (PT), vereador de Maringá e eleito deputado estadual, é quem teve o voto ‘mais barato’ entre os oito. Com 45.047 votos conquistados e R$ 237 mil em recursos movimentados, cada voto teve o custo médio de R$ 5,20.
Campanha que mais recebeu recursos, com R$ 2,8 milhões declarados, a reeleição de Sargento Fahur (PL) como deputado federal não esteve entre os votos mais caros. Com 242.643 votos conquistados – a terceira maior votação do Paraná -, Fahur gastou em média R$ 11,50 por cada voto recebido. A reportagem completa pode ser lida neste link.











