Maringá — A crescente transferência de responsabilidades domésticas para o ambiente escolar foi um dos temas mais contundentes abordados pelo presidente do Sinepe/NOPR, Djalma da Rocha Martins, no podcast Ponto a Ponto. Em entrevista ao jornalista Ronaldo Nezo, o gestor criticou a postura de pais que acreditam que o pagamento das mensalidades os isenta do papel formador de seus filhos.
“Educar dá trabalho. Você falar para um bebê que está engatinhando, até ele entender que pôr o dedo na tomada dá choque, quantas vezes vai ter que tirar de lá e falar que não vai? Fazer uma criança sair da televisão e ir tomar banho… Isso daí é educação”, destacou Martins.
O dirigente pontuou que princípios fundamentais não podem ser delegados: “Respeito, ética, essa parte da religiosidade, essa parte da família… Respeitar o professor, não pegar as coisas do amiguinho, isso aí é pai e mãe que tem que fazer, não é a escola. A escola cuida da parte pedagógica. Mas muitas famílias acham que não: ‘Eu pago essa escola, vocês que se virem com o meu filho. Eu pago caro, então o problema é seu'”.
O impacto dos grupos de mensagens
Djalma também chamou a atenção para o desgaste provocado pela comunicação desmedida em aplicativos de mensagens, que frequentemente transformam pequenos incidentes infantis em crises institucionais:
“Hoje, o inferno da escola é grupo de WhatsApp de mãe. Ali comenta-se de tudo, é o telefone sem fio. Um acontecimento dentro da sala de aula que uma criança de sete anos conta para a mãe já replica, a outra comenta e vira um problema. Às vezes era um negocinho desse tamanho, e cabe à escola depois dar a solução ou dar satisfação para um problema que é corriqueiro e normal”, explicou.
Para amenizar o descompasso, o Sinepe tem fomentado projetos de orientação voltados aos responsáveis: “Surgiu na diretoria a ideia da ‘escola para pais’: trazer palestrantes importantes para debater qual é a obrigação e a função da escola e qual é a da família na educação do filho”, concluiu.
Serviço
Apresentação: Ronaldo Nezo
Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio
Assista o episódio completo do podcast no canal do Maringá Post no YouTube.











