Lojas físicas enfrentam pressão cada vez maior do e-commerce

Vendas presenciais perdem força enquanto compras pela internet avançam, mudando o comportamento do consumidor e pressionando o comércio de rua
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Vendas presenciais perdem força enquanto compras pela internet avançam, mudando o comportamento do consumidor e pressionando o comércio de rua

Em agosto, o Índice Cielo do Varejo Ampliado registrou queda real de 2% nas vendas do varejo brasileiro em relação a agosto de 2025. Foi o 15º mês consecutivo de queda real.

A diferença entre os canais chama atenção. Em agosto, o e-commerce cresceu 5,1% em termos nominais, enquanto o varejo físico avançou apenas 1,2%. A diferença foi de 3,9 pontos percentuais.

No primeiro semestre de 2026, o comércio eletrônico brasileiro movimentou R$ 208,4 bilhões, alta nominal de 16,9% sobre o mesmo período de 2025. O número de pedidos chegou a 756,7 milhões, crescimento de 34,8%.

Pesquisa da CNDL e do SPC Brasil aponta que 85% dos consumidores digitais das capitais fizeram pelo menos uma compra pela internet nos 12 meses anteriores. Em 2025, eram 74%.

A estimativa é de 139 milhões de consumidores comprando online no país, 20 milhões a mais que no ano anterior.

Segundo levantamento do FGV IBRE com dados do mercado de trabalho, o comércio fechou 7.086 postos formais entre janeiro e julho de 2026. Foi o único grande setor analisado com saldo negativo no período.

No mesmo intervalo de 2025, o comércio havia criado 125,9 mil vagas.

O IBGE mostra que o problema não é simplesmente falta de consumidores. O comércio varejista acumulava alta de 1,8% no volume de vendas em 2026 até julho. Mas julho trouxe queda de 0,8% sobre junho.

Isso significa que o varejo ainda vende, mas encontra dificuldade para transformar o movimento do consumidor em crescimento contínuo.

O e-commerce também não explica sozinho a pressão sobre as lojas. Juros elevados, endividamento das famílias e menor capacidade de compra também pesam sobre o comércio.

A diferença é que a loja física tem custos que uma operação digital pode distribuir de outra maneira: aluguel, condomínio, energia, funcionários, estoque exposto e estrutura de atendimento.

Por isso, o desafio para o comércio de rua não é apenas vender. É justificar para o consumidor a razão de sair de casa quando o mesmo produto pode ser pesquisado, comparado e comprado pelo celular.

A loja física continua tendo vantagens. O consumidor pode experimentar, receber orientação, levar o produto imediatamente e resolver problemas presencialmente.

A disputa já não acontece somente entre uma loja e outra da mesma rua. O comerciante local passou a disputar o consumidor também com grandes plataformas digitais, marketplaces e vendedores que conseguem alcançar compradores de qualquer cidade.

A loja física não desapareceu, mas precisa competir em um mercado no qual preço, conveniência, prazo de entrega e facilidade de pagamento podem ser comparados em poucos segundos.

O comércio de rua entrou, portanto, em uma nova fase: não basta abrir a porta e esperar o consumidor entrar. A concorrência agora também está dentro do celular.

Fontes: IBGE, Cielo, CNDL/SPC Brasil e FGV IBRE.