As equipes começaram a procurar alternativas para reduzir o impacto de uma eventual perda dos contratos de patrocínio com empresas de apostas.
O movimento ocorre em um momento em que o setor de apostas está fortemente presente no futebol brasileiro. Na Série A, 14 dos 20 clubes têm atualmente empresas de apostas entre seus patrocinadores, segundo levantamento divulgado nesta semana.
Os valores envolvidos também são expressivos. Estimativas apontam que as bets destinam mais de R$ 1 bilhão por ano aos contratos de patrocínio dos clubes da primeira divisão.
Por isso, uma eventual saída dessas empresas não representaria apenas a troca de uma marca na camisa. Para vários clubes, seria necessário substituir uma fonte importante de receita.
Algumas equipes já começaram a sondar empresas de outros setores para ocupar espaços atualmente utilizados pelas bets. A busca envolve segmentos como bancos, empresas de tecnologia, varejo, alimentos, bebidas, serviços e indústria.
Outra frente está relacionada à própria estrutura financeira dos clubes.
Clubes das Séries A e B negociam com o governo a criação de uma linha de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A proposta ainda está em discussão e não existe definição sobre o valor disponível ou os critérios para acesso.
A ideia principal é utilizar os recursos para reduzir dívidas. Também existe a possibilidade de financiamento de obras e melhorias de infraestrutura para clubes com menor nível de endividamento.
A CBF participa das conversas como articuladora. A entidade também já criou, em 2026, um programa de apoio à reestruturação financeira dos clubes da Série B, com custeio de despesas como logística e arbitragem condicionado ao cumprimento de regras de gestão e sustentabilidade financeira.
O futebol brasileiro também passou a operar sob o Sistema de Sustentabilidade Financeira da CBF. As regras estabelecem limites para dívidas, gastos com jogadores, endividamento de curto prazo e equilíbrio operacional.
Nesse cenário, os clubes precisam buscar receitas que dependam menos de um único setor.
Além dos patrocínios, as alternativas passam por aumento das receitas comerciais, programas de sócio-torcedor, venda de produtos licenciados, exploração de estádios, direitos de transmissão, produção de conteúdo próprio e formação e negociação de jogadores.
A venda de jogadores continua sendo uma fonte importante para vários clubes, especialmente aqueles que possuem categorias de base estruturadas. No entanto, esse tipo de receita é irregular e não substitui automaticamente um contrato de patrocínio anual.
Outra possibilidade é aumentar o valor comercial das próprias competições. Quanto maior a audiência, o público nos estádios e o alcance digital, maior tende a ser o espaço para negociação com empresas de outros setores.
A discussão sobre as bets ganhou força no Senado. Em setembro, a Comissão de Ciência e Tecnologia aprovou um projeto que prevê a proibição do patrocínio de empresas de apostas a clubes, federações, ligas, competições e transmissões esportivas. O texto ainda precisa avançar na tramitação legislativa.
Também existe projeto no Senado que propõe proibir a exploração, publicidade e patrocínio de apostas no país. A proposta está em tramitação e não representa, neste momento, uma proibição já em vigor.
Para os clubes, portanto, o problema deixou de ser apenas encontrar uma nova marca para colocar na camisa. A possível redução das receitas das bets coloca em discussão um modelo de financiamento que cresceu rapidamente nos últimos anos.
A saída passa pela diversificação das receitas e pelo controle das despesas. Para as equipes mais endividadas, a perda de um grande patrocinador pode aumentar ainda mais a pressão sobre o caixa.


















