Prefeitura prevê R$ 10 milhões no orçamento para criar empresa pública para administrar data center

Empresa pública terá capital 100% municipal e poderá receber até R$ 20 milhões em aportes ao longo de quatro anos
Sessão da câmara desta quinta (24). Foto: Mari Parma/Maringá Post
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A Prefeitura de Maringá quer criar uma empresa pública para implantar e operar o data center previsto para o município. A proposta foi colocada em regime de urgência, em primeira discussão, na Câmara nesta quinta-feira (24). Junto com ela, outros dois projetos relacionados à estruturação da companhia.

O Projeto de Lei nº 18.401/2026 autoriza a criação da Maringá Data e Tecnologia S.A., empresa pública constituída como sociedade anônima de capital fechado e com capital integralmente pertencente ao Município. A companhia terá como finalidade a implantação, operação e exploração de um data center, apresentado no projeto como empreendimento-âncora da futura Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Maringá.

Um dos projetos que acompanha a proposta, o PL nº 18.398/2026, autoriza a abertura de um crédito adicional especial de R$10 milhões no orçamento de 2026. O recurso será destinado à constituição e estruturação da nova empresa.

Além desse valor inicial, o projeto que cria a estatal prevê que o Município poderá fazer aportes de até R$20 milhões ao longo de quatro anos.

A proposta dividiu os vereadores. Foram 13 votos favoráveis e seis contrários.

Resultado da votação dos projetos. Foto: Mari Parma/Maringá Post

Durante a discussão, um dos questionamentos foi justamente sobre a participação do poder público no empreendimento. Daniel Malvezzi (NOVO) afirmou que, quando a Câmara discutiu a área destinada ao projeto, a informação apresentada aos vereadores era de que haveria investimento privado para a construção do data center.

“Quando nós votamos aqui nessa casa aquisição de vários lotes para criação de uma zona especial e todos aqui entendem tem a relevância econômica da nossa cidade. Foi colocado para gente que haveria um investimento privado de milhões para construção de um data center privado que investiria milhões na cidade.”

 

Afirma Daniel Malvezzi (NOVO), durante a discussão na Câmara.

Por outro lado, vereadores favoráveis como Odair Fogueteiro, defenderam que o empreendimento retornaria muito dinheiro à cidade.

“Maringá só vai ganhar com isso.Obviamente, não só os recursos,mas também com os profissionais que vão vir para Maringá, vão residir em Maringá. Os nossos profissionais, os nossos filhos, os nossos netos, porque são milhares de empregos que vão gerar esta empresa”.

Aponta Fogueteiro, também em discurso no plenário.

 

Requerimento continua sem resposta

A criação da empresa pública ocorre enquanto ainda não foram respondidos questionamentos feitos pelo vereador Professor Pacífico sobre o imóvel relacionado ao empreendimento.

O Requerimento nº 493/2026 foi aprovado pela Câmara em (01) de setembro. No documento, Pacífico solicita informações ao prefeito sobre a Lei nº 12.105/2025, que autorizou o Município a alienar um imóvel destinado à implantação de um Data Center de Inteligência Artificial em Maringá.

O documento questiona qual foi o valor total efetivamente desembolsado, qual a situação do imovel, por que o edital de alienação do imovel não tinha sido desembolsado e se já tinha sido feito o laudo de avaliação do imovel. 

O requerimento, no entanto, ainda não obteve respostas.

Segundo o vereador, os questionamentos ainda não foram respondidos pelo Executivo.

“Esse empreendimento vai gastar muita energia elétrica vai gastar muita água e nós não temos esse respaldo para fornecer para esse tipo de atividade. Eu fiquei com essas dúvidas todas e através de pesquisas e análise sobre o projeto fiz um requerimento perguntando sobre tudo isso que eu tinha dúvida e não obtive nenhuma resposta. E dá a impressão até que eles não têm a resposta para nos fornecer”.

Os três projetos

Os três projetos relacionados à criação da empresa foram incluídos na pauta desta quinta-feira (24), em regime de urgência. O PL nº 18.398/2026 trata do crédito de R$10 milhões; o PL nº 18.399/2026 altera o PPA 2026-2029; e o PL nº 18.401/2026 autoriza a criação da Maringá Data e Tecnologia S.A.

O PL 18.401 estabelece a estrutura da empresa, incluindo diretoria executiva, Conselho de Administração e Conselho Fiscal. Os empregados serão contratados pelo regime da CLT, e o texto também prevê a possibilidade de cessão de servidores municipais.

O Maringá Post procurou a Prefeitura qual é a motivação da criação da estatal. O portal também pediu um posicionamento sobre a ausência da resposta do requerimento Nº 493/2026, referente ao data center. Até o fechamento da reportagem, não obtivemos resposta.

O projeto segue para segunda discussão na reunião da câmara da próxima terça-feira (29).