Maringá vive uma situação curiosa no mercado de trabalho: existem pessoas procurando emprego e, ao mesmo tempo, empresas que não conseguem encontrar profissionais para determinadas funções.
Os números mais recentes da Agência do Trabalhador ajudam a mostrar o tamanho desse mercado. Em 21 de setembro, eram 932 vagas disponíveis em Maringá, sendo 725 destinadas ao público geral e 207 para pessoas com deficiência.
Entre as funções com maior número de oportunidades estavam auxiliar de linha de produção, com 210 vagas, auxiliar de logística, com 209, atendente de farmácia/balconista, com 41, e operador de caixa, com 38.
Mas uma grande quantidade de vagas não significa automaticamente que exista falta de profissionais. Para identificar uma escassez de mão de obra, é necessário observar também quanto tempo as vagas permanecem abertas, quantos candidatos aparecem e se eles possuem a qualificação exigida pelas empresas.
É justamente nesse ponto que aparece uma das principais dificuldades do mercado de Maringá: a diferença entre o profissional disponível e o profissional que a empresa precisa.
Onde está a dificuldade
Os sinais aparecem principalmente em atividades que dependem de trabalhadores operacionais e técnicos.
Logística, produção industrial, construção civil, alimentação, comércio e serviços estão entre os segmentos que precisam constantemente repor trabalhadores.
Na construção civil, por exemplo, a falta de profissionais qualificados é um problema identificado também em levantamentos nacionais. Na indústria, a necessidade de trabalhadores com formação técnica acompanha a modernização das empresas e dos equipamentos.
Maringá ainda tem uma característica que amplia essa disputa. O mercado de trabalho não termina nos limites do município. Empresas de Sarandi, Paiçandu, Marialva e outras cidades da região também disputam trabalhadores.
Isso faz com que uma pessoa possa morar em Maringá, trabalhar em outra cidade ou fazer o caminho contrário.
As profissões mais procuradas
Com base nas vagas disponíveis e nos setores que relatam dificuldade de contratação, algumas áreas merecem atenção de quem está procurando trabalho ou pensando em mudar de profissão.
Entre elas estão funções ligadas à produção industrial, logística, construção civil, comércio, farmácias, alimentação, manutenção e serviços técnicos.
O mercado também procura profissionais que tenham conhecimentos específicos e experiência. Em muitos casos, o problema não é a inexistência de candidatos, mas a falta de pessoas que atendam aos requisitos da vaga.
Esse é um ponto importante para quem está escolhendo uma profissão.
Uma vaga que aparece repetidamente pode indicar que existe demanda permanente por aquela função. Para o trabalhador, isso pode representar uma oportunidade de entrar em um setor no qual as empresas precisam contratar com frequência.
O que as empresas estão procurando
A pesquisa realizada pelo Sebrae/PR em parceria com a Fecomércio PR mostrou que 23,3% dos empresários da região de Maringá pretendiam aumentar o número de funcionários no segundo semestre de 2026.
Isso significa que a procura por trabalhadores não está restrita às vagas que aparecem hoje na Agência do Trabalhador.
Há também empresas que fazem recrutamento diretamente ou utilizam agências especializadas para encontrar profissionais.
Por isso, a análise das profissões em falta precisa considerar não apenas as vagas públicas, mas também aquilo que os departamentos de recursos humanos estão procurando.
Uma oportunidade para quem quer se qualificar
A falta de profissionais pode representar uma oportunidade principalmente para quem está disposto a fazer uma formação técnica ou um curso de qualificação.
Nem sempre é necessário fazer uma faculdade para entrar em uma área com demanda.
Em determinadas profissões, cursos de curta duração, formação profissional e experiência prática podem ser suficientes para iniciar uma carreira.
O desafio é descobrir quais dessas profissões terão demanda de forma mais permanente.
É por isso que os dados do mercado de trabalho precisam ser analisados junto com as necessidades das empresas.
Em Maringá, o cenário de 2026 mostra que o problema já não pode ser resumido simplesmente à existência ou não de empregos.
Existe emprego. Existe gente procurando trabalho.
A questão é saber se a pessoa que procura emprego tem exatamente a formação, a experiência e as habilidades exigidas pela vaga.
É nessa diferença entre a vaga existente e o profissional disponível que está uma das principais explicações para a falta de mão de obra em Maringá.
Fontes: Agência do Trabalhador de Maringá; Ministério do Trabalho e Emprego/Novo Caged; Sebrae/PR e Fecomércio PR.


















