Idosos encontram na atividade física um espaço de saúde e convivência em Maringá

Além dos benefícios para o corpo, exercícios também ajudam a manter a socialização na terceira idade
Paula acompanha a evolução de Paulo em sua rotina de treinos. Foto: Mari Parma/Maringá Post
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A prática de atividade física está ganhando espaço na rotina de pessoas idosas. Além dos benefícios para a saúde, especialistas defendem a ação como  ponto de convivência e bem-estar.

Uma análise da Vigitel aponta que quase 27% dos idosos realizavam atividades físicas no tempo livre em 2023, considerando pelo menos 150 minutos semanais de exercícios de intensidade moderada. Em 2010, a média era de cerca de 20%.

Percentual de adultos que praticam atividades físicas no tempo livre equivalentes a pelo menos 150 minutos de atividade de intensidade moderada por semana, no conjunto das capitais de estados brasileiros e no Distrito Federal, por ano. Fonte: Anatel

Rotina de exercícios na cidade

A presença de pessoas idosas também aparece na rotina de academias de Maringá. Em uma academia no Parque Itaipu, cerca de 30% dos alunos do espaço têm mais de 60 anos.

Dona Enedina, de 83 anos, é uma das alunas. Ela mantém uma rotina que inclui pilates, ginástica, musculação e caminhada. Ao falar sobre o que a motiva a continuar se exercitando, ela lembra dos hábitos que tinha quando morava no sítio.

Segundo ela, naquela época, caminhar fazia parte da rotina. Agora, morando na cidade, encontrou outras formas de continuar em movimento.

Dona Enedina conta com pilates, musculação e ginástica em sua rotina. Foto: Mari Parma/Maringá Post

Para o instrutor Maurício Rotta, acompanhar as mudanças ao longo dos treinos é uma das partes mais gratificantes do trabalho.

“A maior alegria é ver a evolução deles”, afirma.

Wendell Arthur Lopes é doutor em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e atua no Departamento de Educação Física (DEF) da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Segundo ele, a atividade física pode ajudar a preencher uma lacuna que surge na rotina de muitos idosos, especialmente depois da aposentadoria.

“Os idosos tendem a ficar mais em casa. Quando o idoso se aposenta, ele perde esse contato com as pessoas. Então, o espaço hoje da academia e dos espaços para atividade física, de forma geral, é um ponto de reencontro, de encontrar pessoas de diferentes idades.”

Exercícios precisam considerar as necessidades dos idosos

Para algumas pessoas, a atividade física passa ainda por processos de recuperação e adaptação. Durante o estágio em Educação Física em uma academia, Paola Panullo acompanhou a evolução de Paulo, que sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC) há cerca de 15 anos.

Segundo a estagiária, Paulo enfrentou dificuldades para recuperar os movimentos após o AVC e manteve uma rotina de treinos durante esse processo.

“O Paulo não andava, ele não mexia o braço, porque quem tem AVC perde muito essa capacidade motora de se movimentar. E com os treinos, com muita força de vontade do Paulo, ele foi retomando, ele foi conseguindo.”

Paola conta que, ao longo do período em que acompanhou o aluno, percebeu mudanças na mobilidade.

“Hoje em dia o Paulo anda, hoje em dia sem a muleta, que era uma coisa que ele não conseguia fazer.”

O professor Wendell Lopes também reforça que a prática de atividade física na velhice precisa considerar as características e necessidades de cada pessoa. Lopes contribuiu para a elaboração do Guia de Atividade Física para a População Brasileira, publicado pelo Ministério da Saúde em 2021, que possui um capítulo específico sobre pessoas idosas.

Entre as recomendações estão as atividades aeróbicas, como caminhada, ciclismo e natação, mas também exercícios voltados ao fortalecimento muscular.

“Musculação, trabalho com pesos, com peso do próprio corpo, pilates, yoga, são atividades que envolvem um esforço neuromuscular”, afirma.

Segundo ele, exercícios que trabalham coordenação motora e equilíbrio também são importantes, já que o envelhecimento pode provocar perdas funcionais ao longo do tempo.

“Além disso, exercícios multimodais que envolvam coordenação motora, exercícios que envolvam equilíbrio, porque o idoso tem muitas perdas funcionais ao longo do tempo.”