Vício ultrapassa a saúde e afeta trabalho e família

Dependência de álcool e drogas pode atingir emprego, renda, relações familiares e saúde mental; Maringá mantém atendimento especializado
Tempo de leitura: 2 min

O vício em álcool e outras drogas não é apenas um problema de saúde. A dependência pode atingir o trabalho, a renda, a família e aumentar situações de vulnerabilidade social.

Os efeitos também aparecem no mercado de trabalho. Uma pessoa dependente pode ter dificuldade para manter a rotina profissional, registrar faltas, perder renda ou precisar se afastar das atividades.

A relação, porém, não é de causa única. Desemprego, pobreza, problemas familiares e sofrimento mental também podem aumentar a vulnerabilidade ao uso abusivo de substâncias.

Os dados mostram que o problema alcança diferentes grupos sociais. Um levantamento nacional citado pelo Ministério do Desenvolvimento Social encontrou dependência de álcool em 6,2% das pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, contra 1,2% entre aquelas com ensino superior completo ou mais.

Isso representa uma diferença de mais de cinco vezes. O dado, porém, é de escolaridade e não permite dizer que determinado grupo social seja responsável pelo problema.

O impacto também chega à Previdência. O INSS pode pagar o auxílio por incapacidade temporária quando o segurado comprova, por perícia ou análise documental, que está temporariamente incapaz para o trabalho por mais de 15 dias consecutivos.

A dependência, sozinha, não garante o benefício. É preciso comprovar a incapacidade para exercer a atividade profissional e cumprir os demais requisitos previdenciários.

Existe ainda uma relação importante com a saúde mental. O uso de álcool e drogas pode aparecer junto a depressão, ansiedade, crises e outros transtornos. Em situações de sofrimento intenso, também pode haver risco de comportamento suicida.

Em Maringá, o SUS mantém o CAPS AD, serviço especializado para adultos com sofrimento relacionado ao uso de álcool, crack, tabaco, medicamentos e outras drogas. A unidade funciona na Rua Pioneiro João José Queiroz, 650, com atendimento de segunda a sábado, das 7h às 19h.

A cidade também possui CAPS II, CAPS III e CAPS Infantil, além de atendimento de emergência psiquiátrica.

Maringá ainda está ampliando essa estrutura. O município recebeu recursos para a construção de um novo CAPS AD III, que terá atendimento 24 horas e leitos de observação.

Outro ponto importante é que o problema pode ser medido no próprio município. O Ministério da Saúde mantém dados de internações e mortes relacionados ao álcool e outras drogas por cidade.

Assim, o vício deixa de ser apenas uma questão individual. Ele pode gerar custos para a saúde pública, afetar a capacidade de trabalho, reduzir a renda das famílias e aumentar a necessidade de assistência social.

Em Maringá, os dados locais permitem acompanhar essa realidade e avaliar se a procura pelos serviços públicos está aumentando ou diminuindo.