*Por Antônio Rafael Marchezan Ferreira
Gabriel Barros Cunha
Mateus Raniero Zampar
Milena Cristina Belançon
Reconhecida nacionalmente pela concepção inspirada no modelo de cidade-jardim, Maringá (PR) se destaca no cenário nacional pela presença marcante de áreas verdes. Contudo, a evolução do desenho urbano, aliada às projeções de mudanças no clima do planeta, exigem uma reflexão imediata sobre a necessidade de adaptar o planejamento da cidade às novas ameaças ambientais.
A concentração da verticalização e o adensamento predial, somados às extensas superfícies pavimentadas e à dispersa arborização, criam a retenção de calor e o baixo fator de visão do céu. Esse fenômeno prejudica a ventilação local e desacelera o resfriamento noturno, favorecendo a formação de ilhas de calor urbanas.
Cenários Pessimistas
A urgência de repensar as diretrizes de desenvolvimento urbano ganha embasamento técnico na Nota Técnica nº 10/2025 do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Ao avaliar e priorizar os municípios brasileiros na iniciativa AdaptaCidades e no Programa Cidades Verdes Resilientes, o diagnóstico oficial destaca riscos climáticos projetados para 2030 em cenários pessimistas.
A metodologia federal pondera fatores de vulnerabilidade, como o risco de impactos hidrológicos (inundações, enxurradas e alagamentos), a suscetibilidade a episódios de seca e a exposição da população a riscos geo-hidrológicos e de aprofundamento das vulnerabilidades sociais. Diante do cenário de mudanças climáticas, como o desenvolvimento de um Super El Niño, no segundo semestre de 2026, com previsão de aumento das chuvas, dos temporais e da temperatura média para a época em Maringá, a adaptação climática deve ser pauta nos debates políticos, com propostas voltadas à mitigação dos impactos climáticos.
Corredores Naturais de Ventilação
O desenvolvimento preliminar do Mapa Climático Analítico de Maringá (UCAnMap), realizado por meio de sensoriamento remoto, revela que a manutenção dos fundos de vale preservados, aliada à valorização de áreas verdes em declividade (superiores a 20%), é fundamental para garantir corredores naturais de ventilação e a regulação da temperatura, mitigando impactos.
Diante das projeções de eventos extremos, a preservação do legado de cidade-jardim em Maringá requer mais do que a manutenção do paisagismo tradicional. É imperativo atualizar o planejamento urbano e estruturar um Plano Municipal de Adaptação à Mudança do Clima com foco na resiliência hídrica, no controle térmico e na proteção da população, principalmente das parcelas que já se encontram em vulnerabilidade.
Antônio Rafael Marchezan Ferreira é professor do Programa de Pós-Graduação em Direito e do Programa de Políticas Públicas da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Coordenador do Observatório das Metrópoles – Núcleo Maringá.
Gabriel Barros Cunha é estudante de Ciências Econômicas, bolsista e pesquisador pelo Observatório das Metrópoles – Núcleo Maringá.
Mateus Raniero Zampar é bolsista e pesquisador do Observatório das Metrópoles – Núcleo Maringá.
Milena Cristina Belançon é cientista Social e pesquisadora convidada do Observatório das Metrópoles – Núcleo Maringá.























