“É necessário que a Universidade esteja melhor cuidada” afirma Gisele Mendes, candidata a reitoria da UEM

Atual vice-reitora e candidata à reitoria pela Chapa 2 - 'Em defesa da UEM', Gisele Mendes falou sobre suas propostas em entrevista ao Maringá Post. Uma delas é a criação da Pró-reitoria de Assuntos Estudantis, dedicada a trabalhar melhores condições de permanência dos acadêmicos na instituição.
Atual vice-reitora, Gisele Mendes é candidata pela Chapa 2 | Foto: ASC-UEM
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A atual vice-reitora e candidata à reitoria da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Gisele Mendes, quer criar mais uma Pró-reitoria caso seja eleita: a de Assuntos Estudantis. A ideia é que a nova pasta seja dedicada a receber demandas e trabalhar por melhores condições para a permanência dos acadêmicos na instituição.

A proposta foi detalhada pela própria candidata, em entrevista ao Maringá Post, que realizou uma série de entrevistas com os candidatos a reitor. O pleito está previsto para o dia 17 de agosto.

Bacharel em Direito e professora do Departamento de Direito da Universidade, Gisele é candidata pela Chapa 2 – ‘Em defesa da UEM’, que tem como candidato a vice o professor Geovânio Rossato.

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Conforme a candidata, as propostas da chapa para o pleito estão divididos em três eixos: cuidado com a infraestrutura, com os servidores e os estudantes. Em relação a infraestrutura, Gisele Mendes afirma que a UEM precisa estar “melhor cuidada” para que a imagem da instituição melhore na opinião popular. Ela também relatou o desejo de melhorar os planos de carreira dos servidores da instituição e trabalhar melhores políticas de permanência de estudantes, entre elas uma reestruturação do Restaurante Universitário. Leia a entrevista completa abaixo:

P: Por que colocou seu nome à disposição para concorrer a reitoria?

R: “Eu me formei pela UEM, Bacharel em Direito, advogada, no ano de 2001. Fiz meu mestrado também na Universidade Estadual de Maringá, então estou aqui há bastante tempo e depois o doutorado eu fiz na Universidade de Zaragoza, na Espanha. Fiz lá o meu doutorado, meu pós-doutorado. Quando eu retornei, eu fui, eu ingressei como docente temporária, né, docente colaboradora ou temporária, no Departamento de Direito Público da UEM. E depois me tornei docente efetiva num concurso que aconteceu no ano de 2007. Então, eu sou efetiva aqui na casa há mais de 20 anos, no Departamento de Direito Público. Assim que eu cheguei, eu já assumi um cargo de gestão, que foi o de chefia adjunta, como se fosse uma vice, chefe do Departamento de Direito Público, no qual eu estou lotada. Eu fui duas vezes chefe do Departamento de Direito Público, então eu tenho uma larga experiência em chefia de departamento, que são as unidades, as menores unidades da Universidade, e muito importantes para a experiência de gestão, porque o departamento ele vai acaparar tudo, né, demandas de alunos, de professores, de infraestrutura e tudo mais. No ano de 2016, eu tive a felicidade de concorrer à direção do Centro de Ciências Sociais Aplicadas, que agrega os cursos de Direito, Economia, Ciências Contábeis e Administração. E eu fui a primeira diretora, a primeira mulher a ser eleita diretora desse centro de ensino, que é bastante antigo, né, e tradicional. Diretora adjunta, né, ou vice-diretora desse centro. Fiquei por quatro anos, e depois, em 2020, fui eleita diretora titular do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da UEN. No ano de 2022, eu concorri ao cargo de vice-reitora, ao lado do atual reitor, que é o Leandro, né, e fomos eleitos com 56% dos votos válidos, 4.083 votos há quatro anos, então, desde há quatro anos, eu ocupo o cargo de vice-reitora da UEM. São mais de 16 anos de experiência em gestão universitária que me habilitam a concorrer ao cargo de reitora hoje”.

P: Como acredita que sua vivência na Universidade pode colaborar com a condução administrativa da instituição?

R: “Existem vários motivos, o primeiro deles é essa experiência em gestão, e o outro é justamente que nós queremos fazer com a experiência que nós tivemos, de conhecer como vice-reitora, e também os demais cargos que eu ocupei, chefia de departamento, direção de centro de ensino, e esse amplo conhecimento que eu tenho da universidade, poder fazer mais pela universidade, pelos seus campos regionais. O que me habilita, justamente, o que me faz querer ser candidata a reitora hoje, é dar continuidade também a essa minha história de gestão da universidade, de ter sido aluna dessa universidade, e querer fazer o melhor por ela nesses próximos quatro anos”.

P: Quais considera que são as suas principais propostas? Poderia detalhar?

R: “A gente começa pensando que todo mundo que visita a UEM, seja aqui em Maringá ou mesmo nesses municípios que eu citei e o próprio HU, que a Universidade precisa de uma base, que o primeiro eixo, são três eixos do plano de gestão, é a infraestrutura e manutenção. Então, infraestrutura e manutenção é quando a gente vê que a Universidade precisa ser mais cuidada, precisa de capina, de pintura, precisa do término dos blocos, da infraestrutura de sala de aula, datashows, televisores, carteira e mesa, tudo isso é fundamental, laboratórios equipados para se conseguir fazer o trabalho de gestão de pessoas, de estudantes, e ter um ambiente agradável, seja de trabalho, seja de estudo.

Então, a infraestrutura da universidade, ela anda precisando ainda de mais investimentos, que a gente pode buscar junto ao Governo do Estado, para ampliar o orçamento da universidade. Então, é necessário que a Universidade esteja melhor cuidada, porque essa imagem também reflete lá fora. A chapa que eu componho, ela se chama “Em defesa da UEM”, ela quer defender a universidade aqui dentro e lá fora também, melhorar a imagem da Universidade lá fora e quando eu falo imagem, não é só também essa imagem da Universidade bem cuidada, limpinha, arrumada, é também a maneira como ela se reflete na sociedade e mostrar a importância da Universidade, gerando desenvolvimento com os nossos mais de 70 cursos de graduação, 58 pós-graduações, que é o que a sociedade precisa saber e conhecer para poder defender a universidade junto com a gente.

Nosso segundo eixo é voltado para a gestão de pessoas, porque a gente lida com os nossos servidores, nossos técnicos, nossos professores, também tem propostas do plano para poder fazer uma melhoria da carreira dessas pessoas, carreira universitária, recomposição salarial, e pensamos nos estudantes criando uma pró-reitoria específica, essa é uma grande ideia que a gente trouxe aqui para o nosso plano de gestão, que é a pró-reitoria de assuntos estudantis ou de assistência permanente estudantil, que vai ser voltada especificamente para atender as necessidades estudantis. Hoje, nós não temos essa pró-reitoria, a gente tem várias pró-reitorias, são seis, mas nenhuma delas é especificamente para as demandas dos estudantes, por exemplo, Restaurante Universitário, sistema de bolsas, a própria moradia, ela é um carro-chefe da nossa proposta”.

P: Uma pauta que ficou muito evidente nos últimos anos são as obras paralisadas no campus. Qual a sua proposta para resolver o problema?

R: “A gente fala da comunidade como um todo sobre a imagem da UEM, como já citei, e também o apoio do Governo do Estado, que é o mantenedor principal, emendas parlamentares também junto aos parlamentares, que possam fazê-lo, para que essas obras hoje, elas são dezenas de obras, continuem a ser retomadas. Foram retomadas, algumas delas nessa gestão, algumas estão lá no HU, duas importantes estão em obras, outras duas aqui, dentro do campus sede de Maringá também foram retomadas e são importantes. Então nós temos cinco obras grandes retomadas, outras menores foram feitas, mas são dezenas mesmo e a gente precisa retomá-las a partir desse diálogo, franco e respeitoso, claro, com o governador do Estado, que a gente não sabe quem vai ser, justamente para que venham investimentos que vão além daquele orçamento do dia-a-dia, que mantém a universidade, porque com esse dinheiro a gente não consegue terminar nenhuma obra, a gente faz só a gestão do dia-a-dia, mas se nós conseguirmos mais investimentos, tivermos o apoio da sociedade, dos prefeitos, dos municípios que eu citei, nos quais a UEM está lotada hoje, nós podemos, sim terminar obras paradas.

Um exemplo que eu dou é o centro de convenções, que fica mais ali próximo da Vila Esperança, é um centro de convenções que está orçado em R$ 70 milhões e que, se for retomado, nós vamos ter um centro de convenções para a comunidade da região inteira, um centro de convenções regional que vai poder atender todo mundo, não só quem é da Universidade, então a gente precisa ter o apoio da comunidade para poder conseguir a retomada dos investimentos e a continuidade daqueles que já foram retomados”.

P: Um outro assunto que, volta e meia, chama a atenção, é a qualidade das refeições do Restaurante Universitário. É possível fazer algo diferente?

R: “Penso que é importante a gente pensar nas pessoas que estão atuando no Restaurante Universitário hoje e isso toca num tema que tem a ver com pessoas, com aquele marco ali que a gente colocou em segundo lugar depois da infraestrutura, ou seja, nós temos hoje 28 trabalhadores que são terceirizados, que inclusive fizeram greve recentemente, acho que a imprensa noticiou porque eles não são profissionais da carreira universitária, não são funcionários públicos, eles não têm culpa disso, mas eles são contratados por uma empresa terceirizada. Essa é a lógica da terceirização, então nós estamos contra a terceirização aqui dentro da Universidade e em geral, no serviço público, porque ela não está funcionando. Esses funcionários, muitas vezes eles são muito voláteis, existe uma alta rotatividade no cuidado mesmo que eles têm que ter ali com aquela alimentação, é claro que eles não são culpados disso, são mais de 3 mil refeições que são servidas ao dia, é importante dizer que quando nós entramos era apenas o almoço, mil refeições, hoje nós servimos café da manhã, almoço e jantar, 3 mil refeições ao dia, nós não temos funcionários suficientes para isso, nós contamos com esses terceirizados, que são a maior parte da equipe, que muitas vezes mal recebem os salários, então somos contra a terceirização do RU e os próprios servidores de carreira já estão se aposentando, então acaba comprometendo um pouco a qualidade daquele serviço e a gente quer que essa fiscalização sanitária, para o bem-estar dos nossos alunos, ela seja mais efetiva, mais eficiente, mais eficaz, então a gente pretende ter servidores de carreira trabalhando, não mais os terceirizados, porque eles mesmos sofrem com isso, eles têm que fazer greve para receber um salário de uma empresa que, por vezes, o trabalho não é satisfatório”.

P: A segurança do campus também é um problema relatado pelos universitários. Como intervir nesta questão?

R: “A segurança do campus passa por uma série de questões estruturais, de infraestrutura e uma delas muito importante, aliás, duas que eu colocaria, em primeiro lugar, a iluminação do campus, à noite nós temos falhas de iluminação, foram colocadas lâmpadas, infelizmente, a lâmpada, às vezes, quando é de LED, não ilumina suficientemente, não há um controle efetivo desses postes quando eles queimam. O segundo maior problema para poder ter uma segurança eficiente é a questão da nossa vigilância, o pessoal da vigilância nosso também já está se aposentando. O que aconteceu com a vigilância da UEM é queela foi terceirizada, mas, novamente, a questão da terceirização gera, às vezes, uma precariedade desses trabalhadores, então a gente quer retomar a carreira do vigilante para que eles não sejam mais terceirizados, sejam funcionários públicos de carreira e eles possam abraçar de uma maneira mais eficiente a coordenação da vigilância aqui dentro do campus. Então, passa por mão de obra, passa por infraestrutura, passa por questão de iluminação, né, para que a gente possa ter mais segurança aqui dentro, não só para a nossa comunidade, mas também para a comunidade externa que frequenta a UEM”.

P: Nos últimos quatro anos, a atual gestão da UEM foi marcada por uma maior aproximação com as instituições políticas do Estado. É um caminho que pretende seguir?

R: Certamente nós vamos continuar abrindo a UEM à comunidade, porque essa essa chapa defende que a UEM tenha a defesa da comunidade, não só interna, mas externa também. Então vamos continuar com esse trabalho, a UEM retomou o seu assento no CODEM, nosso Conselho de Desenvolvimento de Maringá, a UEM frequenta os conselhos em que ela ela é parte, passou a ter novamente uma presença não só no município de Maringá, mas também na região, um protagonismo no Governo do Estado, então é importante que a gente coloque isso de uma maneira cada vez mais potente. Uma coisa que eu faço questão de fazer como candidata e que eu faria diferente é a defesa da nossa autonomia universitária, porque nós dialogamos com o Governo, com o município, essa leitura é fundamental, mas nós não podemos abrir mão da nossa autonomia universitária”.