Métrica de vaidade não paga conta: por que podcasts regionais devem focar em autoridade e nicho

No podcast Ponto a Ponto, Valério Pereira desconstrói a expectativa de audiência em massa no interior e defende o formato como ativo de posicionamento.
Foto: VMark Estúdio / Maringá Post
Foto: VMark Estúdio / Maringá Post
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Maringá — A proliferação de podcasts nos grandes polos de produção do país gerou uma corrida de criadores e empresas em busca de números astronômicos. No interior, porém, replicar modelos baseados em milhões de visualizações imediatas tem sido fonte constante de desilusão. Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, do portal Maringá Post, o jornalista e diretor do VMark Estúdio, Valério Pereira, analisou a necessidade de alinhar expectativas à realidade de mercado de centros regionais como Maringá.

Conforme Valério, o boom de audiência observado na capital paulista decorre da presença de celebridades e figuras públicas de alcance nacional. Quando esse modelo migrou para o interior, muitos produtores tentaram associar seus canais a influenciadores locais na esperança de transferir seguidores para a audiência das transmissões.

“Quando começamos com podcasts, minha visão inicial foi convidar influenciadores, apresentadores e figuras públicas com engajamento para chancelar o projeto. Isso foi frustrante. Às vezes fazíamos quatro ou cinco episódios que não passavam de 30 a 50 visualizações, mesmo com o convidado tendo milhares de seguidores. Ele não transferia essa audiência”, revelou o diretor.

Foco na performance do conteúdo, não no volume de cliques

A virada de chave, segundo o comunicador, ocorreu ao redirecionar a atenção da métrica quantitativa para a densidade técnica da mensagem. No marketing de conteúdo contemporâneo, a relevância da informação para um grupo segmentado sobrepõe-se à dispersão de visualizações genéricas.

“O público que assiste a um conteúdo sobre direito empresarial ou prótese dentária é completamente diferente de quem busca puro entretenimento. É muito mais vantajoso construir autoridade para que um nicho específico acompanhe e valide o seu trabalho do que produzir algo disperso para todo mundo sem colher retorno prático”, apontou Valério.

O empresário reforçou que a monetização direta do programa não deve ser o objetivo primário de quem investe no formato: “Para quem procura o estúdio com a ideia de explodir e enriquecer com podcast: isso não é impossível, mas é altamente improvável. O ganho real está na visibilidade qualificada e na consolidação da credibilidade. O podcast é o meio de comunicação e posicionamento; o faturamento do negócio é a consequência”.

Serviço

Apresentação: Ronaldo Nezo

Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio

Assista o episódio completo do podcast no canal do Maringá Post no YouTube.