Da foto de família no celular à correção de datas: como a internet transformou a pesquisa histórica

No Ponto a Ponto, Miguel Fernando analisa o papel colaborativo das redes e aponta as diferenças entre a agilidade do meio digital e o fechamento acadêmico.
Foto: VMark Estúdio / Maringá Post
Foto: VMark Estúdio / Maringá Post
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Maringá — A preservação do patrimônio cultural deixou de ser exclusividade de arquivos empoeirados ou salas de museus com acesso restrito. Ao adotar a metodologia da “museologia social”, o projeto Maringá Histórica transferiu o acervo da cidade para as telas de celulares e computadores, abrindo espaço para que os próprios cidadãos atuem como coautores da historiografia regional.

A dinâmica foi esmiuçada por Miguel Fernando no podcast Ponto a Ponto, projeto jornalístico do portal Maringá Post.

Segundo o pesquisador, os canais digitais recebem entre 50 e 70 mensagens diárias de seguidores contendo retratos de época, documentos antigos guardados em gavetas e relatos de pioneiros anônimos: “Muitas vezes publicamos imagens sem dados completos sob a legenda ‘Quem, onde e quando?’. É raríssimo passar um mês sem que a própria comunidade identifique quem era a pessoa na foto, em qual rua o evento aconteceu e o contexto daquele dia”, detalhou.

A flexibilidade da rede contra o rigor acadêmico

Mestrando e doutorando na área de História, Miguel contrapôs a agilidade permitida pelo meio virtual com a lentidão e as resistências observadas nas universidades tradicionais.

“Minha postura profissional sempre foi prática: colocar a informação na mesa, testar, aceitar o erro e fazer a correção de percurso em público. No meio digital, se um leitor avisa que a rua publicada está incorreta ou que a data destoa, nós ajustamos o conteúdo. Isso enriquece a base de dados. A academia formal tem uma fixação por debates teóricos e burocracias metodológicas que acabam afastando a sociedade do contato direto com o seu passado”, analisou.

Essa abertura participativa resulta em descobertas inusitadas: “Recebemos certa vez a foto de um terreno na Vila Nova enviada por um morador. Fomos checar pessoalmente e descobrimos a existência de um templo xintoísta reservado nos fundos de uma residência particular. O meio digital permite resgatar essas singularidades que nunca chegariam aos livros oficiais”, concluiu Fernando.

Serviço

Apresentação: Ronaldo Nezo

Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio

Assista o episódio completo do podcast no canal do Maringá Post no YouTube.