Avaliar a qualidade de uma universidade não significa apenas contar pesquisas científicas, publicações e inovações. O debate sobre o ensino superior brasileiro envolve também a função de cada instituição, a formação de profissionais e os benefícios que ela oferece à sociedade.
O tema foi abordado em editorial da Folha de S.Paulo publicado em 21 de outubro, a partir dos resultados do Ranking Universitário Folha (RUF).
Na edição mais recente do ranking, 37 das 50 universidades mais bem avaliadas do país são federais. As três primeiras posições ficaram com a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O resultado mostra a força das instituições públicas de maior porte, especialmente no eixo Sul-Sudeste. Mas também levanta uma questão: os mesmos critérios são suficientes para avaliar todas as universidades brasileiras?
O que significa avaliar a diversidade?
Significa considerar que as instituições têm estruturas, recursos, objetivos e públicos diferentes.
Uma universidade com laboratórios avançados e grande produção científica pode se destacar em pesquisas. Já uma instituição de menor porte, localizada no interior ou em uma região com menos oportunidades, pode ter papel decisivo na formação de professores, enfermeiros, engenheiros e outros profissionais.
Isso não significa dispensar a cobrança por qualidade. A proposta é avaliar cada instituição considerando também sua missão e sua contribuição.
Por que isso importa?
Uma avaliação mais adequada pode ajudar o governo a distribuir recursos, planejar políticas educacionais e identificar onde são necessárias melhorias.
Também pode evitar que instituições importantes para determinadas regiões sejam consideradas pouco relevantes apenas porque produzem menos pesquisas científicas.
O debate envolve ainda a inclusão e o impacto social do ensino superior. Além de formar profissionais e produzir conhecimento, as universidades podem contribuir para resolver problemas públicos e ampliar oportunidades.
O que pode mudar?
O Brasil já possui mecanismos oficiais de avaliação do ensino superior. O debate é sobre como aperfeiçoá-los para considerar melhor as diferenças entre as instituições.
Em dezembro de 2025, USP, Unicamp e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) anunciaram uma parceria para propor melhorias na avaliação nacional, incluindo dimensões como extensão universitária, iniciação científica e inclusão.
A discussão não significa que uma nova regra já esteja em vigor. O desafio é construir critérios que reconheçam a qualidade acadêmica e, ao mesmo tempo, a contribuição de cada instituição para a sociedade.
















