Professor Djalma Martins detalha os bastidores da inclusão nas escolas; ele revela os grandes desafios

Presidente do Sinepe defende laudos emitidos por médicos especialistas, aponta escassez crítica de tutores capacitados e propõe coparticipação estatal.
Foto: VMark Estúdio / Maringá Post
Foto: VMark Estúdio / Maringá Post
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Maringá — A integração de alunos neurodivergentes e com necessidades específicas nas escolas particulares exige rigor pedagógico, transparência e estrutura técnica para não se transformar em mera custódia física. A reflexão foi compartilhada pelo professor Djalma da Rocha Martins no podcast Ponto a Ponto.

Martins recordou que, desde 2013, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) estendeu a obrigatoriedade da inclusão à rede particular de ensino, as instituições têm se desdobrado para estruturar planos de desenvolvimento individualizados:

“A escola particular não está dizendo que não vai atender, mas a gente precisa de uma estrutura para atender bem. Não é uma creche, não é um lugar para deixar no horário de aula e depois buscar. Eu não posso ser hipócrita e falar: ‘Vou pegar a tua mensalidade, deixo ele lá escondidinho e boa’. Não é assim que funciona. Tem que ter resolutividade para essa família e para essa criança”, frisou Djalma.

A exigência de laudo médico e o déficit de profissionais

O gestor ressaltou que, após intensos debates institucionais, consolidou-se a diretriz de que o diagnóstico deve ser emitido por médicos especialistas: “Chegamos ao ponto de que tem que ser um médico especialista, geralmente um neuropediatra, que vai laudar. Porque cada indivíduo exige um plano específico feito pela escola junto com os profissionais de apoio da criança: terapeuta ocupacional, psicopedagogo e médico”.

Djalma relatou ainda a carência de profissionais no mercado de trabalho, problema que atinge tanto as escolas particulares quanto a rede pública: “Estive na Câmara Municipal em um debate público: a Prefeitura não está tendo tutores suficientes. O Ministério Público determina a contratação, mas não tem profissional capacitado no mercado. Se já falta professor para o ensino regular, imagine para o específico”.

Diante dos custos envolvidos, o presidente do Sinepe reiterou a proposta de que o poder público ofereça suporte: “Assim como o Estado subsidia a saúde pelo SUS quando alguém sofre um acidente, sugeri que o Estado ajudasse as escolas particulares nesse plano pedagógico. Se a educação é tão importante, por que não pensar em um modelo compartilhado?”, propôs.

Serviço

Apresentação: Ronaldo Nezo

Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio

Assista o episódio completo do podcast no canal do Maringá Post no YouTube.