Tropas vão treinar forças locais contra o narcotráfico, enquanto Washington busca ampliar sua influência estratégica na região.
Os Estados Unidos estão enviando cerca de 600 militares para a América Latina em uma nova etapa da estratégia do presidente Donald Trump para combater o narcotráfico. O deslocamento prevê treinamento conjunto com forças locais no Panamá, na Colômbia e em Honduras.
Os primeiros soldados, integrantes da 10ª Divisão de Montanha do Exército americano, começaram a seguir para uma instalação de treinamento na selva panamenha. Outros contingentes devem participar de exercícios militares nos países parceiros.
A iniciativa amplia a atuação das Forças Armadas dos Estados Unidos na região, onde o governo Trump pretende intensificar as operações contra organizações criminosas.
Qual é o objetivo oficial?
A justificativa apresentada pelo governo americano é combater o tráfico internacional de drogas e enfraquecer os grupos responsáveis pela produção, pelo transporte e pela distribuição de entorpecentes.
Os militares deverão treinar forças locais e, em determinadas situações, poderão dar apoio a unidades americanas de operações especiais. O Pentágono também ampliou o uso de drones de vigilância na região.
O comandante militar americano para o hemisfério ocidental, general Francis Donovan, afirmou que os Estados Unidos estudam ampliar as ações contra o narcotráfico, passando de ataques a embarcações para possíveis operações terrestres.
O que os Estados Unidos ganham?
Além do combate às drogas, há um objetivo estratégico: ampliar a influência americana sobre a América Latina.
A região tem importância militar, comercial e econômica. Também concentra disputas de influência internacional, especialmente com a crescente presença econômica da China.
O governo americano quer fortalecer alianças militares, ampliar o compartilhamento de informações e estimular os países parceiros a adotar ações mais agressivas contra organizações criminosas.
Existe risco de intervenção?
A ampliação da presença militar provoca preocupação com a soberania dos países latino-americanos. Especialistas também questionam os limites legais de operações militares contra suspeitos de tráfico e os riscos para a população civil.
Panamá, Colômbia e Honduras aceitaram diferentes formas de cooperação com Washington, mas isso não significa autorização irrestrita para qualquer operação militar.
Até o momento, o envio dos 600 soldados foi apresentado principalmente como uma missão de treinamento e cooperação. A possibilidade de ações terrestres mais agressivas, porém, amplia as dúvidas sobre os próximos passos da estratégia americana.









