Djalma Martins, presidente do Sinepe, analisa o apagão de professores e a falta de respeito à docência

Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, presidente do Sinepe aponta que desinteresse pelas licenciaturas em universidades como a UEM decorre da perda de autoridade social.
Foto: VMark Estúdio / Maringá Post
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Maringá — A escassez de candidatos para os cursos de licenciatura em universidades de prestígio, a exemplo da Universidade Estadual de Maringá (UEM), sinaliza uma crise estrutural que ultrapassa a questão salarial. No podcast Ponto a Ponto, o presidente do Sinepe/NOPR, Djalma da Rocha Martins, afirmou que o Brasil enfrenta um grave “apagão de professores” gerado pela desvalorização do status da profissão.

“O Brasil é o penúltimo colocado em um dado assustador: as famílias não incentivam os filhos a serem professores. Se um garoto ou uma garota fala para o pai ou para a mãe que quer ser professor, a resposta é: ‘Pelo amor de Deus, isso não!’. O respeito e a valorização do professor se deterioraram de tal maneira que a carreira não atrai”, relatou Martins ao jornalista Ronaldo Nezo.

A inversão da cobrança

Para ilustrar a mudança cultural nas últimas décadas, Djalma recorreu a uma comparação gráfica sobre o relacionamento entre pais, alunos e educadores:

“Existe uma charge da década de 1960 em que o pai e a mãe estão com o aluno em frente ao professor, com a prova na mão, apontando o dedo para o aluno e cobrando: ‘Que notas são essas?’. E hoje é a mesma situação, só que apontando o dedo para o professor. Inverteu! Se o aluno não conseguiu, não é de mim que você tem que cobrar, é dele. Em casa, o pai tem que dizer que o professor é a autoridade máxima dentro da sala de aula”.

O presidente do Sinepe citou como contraponto a reverência conferida ao magistério em países asiáticos: “No Japão, o único profissional para quem o imperador se curva é o professor. Na China e na Coreia, o professor tem um status altíssimo, é muito respeitado. Aqui, os professores são agredidos dentro da escola e expostos em redes sociais. Hoje existe um apagão de professores por conta dessa desvalorização no reconhecimento e no status, e não apenas pela remuneração”, declarou.

Serviço

Apresentação: Ronaldo Nezo

Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio

Assista o episódio completo do podcast no canal do Maringá Post no YouTube.