Mais de 900 imigrantes procuraram o poder público em busca de oportunidades de emprego em Maringá em 2026

Número é relativo a quantidade de estrangeiros atendidos pela Secretaria Municipal de Juventude, Cidadania e Migrantes de janeiro a setembro. Do total, mais de 500 imigrantes foram encaminhados para entrevistas. Em 2025, Paraná liderou o número de contratações de trabalhadores de fora do Brasil em território nacional.
Rede Amigão tem 93 colaboradores estrangeiros na cidade | Foto: Victor Ramalho/Maringá Post
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Mais de 900 imigrantes que chegaram a Maringá em 2026 procuraram os órgãos públicos em busca de encaminhamentos para oportunidades de trabalho. O dado é da Secretaria Municipal de Juventude, Cidadania e Migrantes e é relativo a quantidade de atendimentos realizados a estrangeiros de janeiro a setembro. Do total, mais de 500 foram encaminhados para entrevistas de emprego em empresas da cidade.

Em todo o Brasil houve um crescimento de mais de 50% no número de imigrantes ocupados em postos de trabalho com carteira assinada. O indicador, que apontava 269 mil estrangeiros contratados via CLT em 2023, saltou para mais de 414 mil até o fim de 2025, segundo dados do Observatório das Migrações Internacionais, órgão ligado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

O mesmo levantamento mostra que o Paraná liderou o número de contratações de colaboradores de fora do Brasil no ano passado: foram mais de 20 mil postos com carteira assinada criados, com o setor da indústria concentrando mais de 1/3 do total. Em Maringá, foram mais de mil trabalhadores estrangeiros encaminhados para entrevistas de emprego em 2025, com mais de 70% deles sendo contratados por empresas locais, segundo dados da Agência do Trabalhador. Na cidade, os setores da indústria e de supermercados lideram o indicador.

Uma das empresas que atuam em Maringá que mais dá oportunidade para imigrantes, conforme os indicadores da Agência do Trabalhador e da Secretaria de Juventude e Cidade é a rede de supermercados Amigão. Atualmente, a companhia tem 93 colaboradores de origem estrangeira atuando nas unidades da cidade.

É o caso do Ivan Gregório Gonzáles, de 28 anos e que chegou da Venezuela em 2020. Atualmente, ele trabalha como Fiscal de Prevenção de Perdas em uma das lojas da rede na cidade. Contratado há cinco anos, ele celebra as oportunidades de crescimento profissional que teve no país.

“Eu tinha uns amigos aqui nessa cidade de Maringá. Eles falaram que a cidade era muito boa pra morar, trabalho, muitas oportunidades. A princípio foi difícil (a adaptação), porque eu não falava muito português e entrou a pandemia, ficou atrapalhando um pouco a vida da gente. Mas depois que eu entrei no mercado, eu consegui me desenvolver mais, aprender a língua portuguesa, eu acho que foi muito bom, uma adaptação diferente. A gente vinha com uma expectativa, chegou aqui e acabou sendo tudo muito mais fácil, porque o pessoal do Brasil é muito acolhedor. Já digo que aqui (Brasil) é minha casa”, afirmou.

De acordo com o Diretor de Migrantes da Secretaria de Juventude, Fernando Vanalli, muitos dos imigrantes que chegam na Cidade Canção não são muito criteriosos na escolha do primeiro emprego. Embora a maioria chegue ao país com formação superior, dificuldades em validação dos diplomas e a urgência em buscar autonomia financeira fazem com que os atendidos aceitem qualquer oportunidade.

“A maioria dos que chegam aqui são venezuelanos, pela situação do país, então eles migram para o Brasil à procura de uma vida melhor. Então quando chegam até nós, eles aceitam o trabalho que é oferecido. As empresas tem sido parceiras, elas têm valorizado esses imigrantes, e não porque a mão de obra de repente é mais barata não, pelo contrário, é igualdade com o brasileiro. Então eles vêm muitas vezes em situação de refúgio, alguns países ainda têm essa situação de briga política, guerras, mas a grande maioria está vindo da Venezuela ainda, buscam um crescimento, um recomeço e acabam encontrando aqui na cidade”, explicou.