“30 anos sem mexer na rota”: Djalma Martins compara descontinuidade do Brasil com nações que priorizaram a educação básica

Presidente do Sinepe aponta no podcast Ponto a Ponto que países como Coreia do Sul, Finlândia e Estônia enriqueceram porque blindaram o ensino contra disputas ideológicas.
Foto: VMark Estúdio / Maringá Post
Foto: VMark Estúdio / Maringá Post
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Maringá — A ausência de um plano educacional sólido e permanente no Brasil foi apontada pelo professor Djalma da Rocha Martins como o principal entrave para o desenvolvimento socioeconômico do país. No podcast Ponto a Ponto, o presidente do Sinepe/NOPR confrontou a realidade brasileira com a trajetória de nações que superaram a pobreza nas últimas décadas por meio de metas rigorosas para a educação básica.

Conversando com Ronaldo Nezo, Martins lembrou que países que estavam em condições econômicas inferiores às do Brasil nos anos 1970 e 1980 — como Coreia do Sul, Finlândia, Estônia e China — tomaram a decisão de transformar o ensino em compromisso inegociável de Estado:

“Eles fizeram uma política de Estado para a educação, fizeram um plano para 30 anos. Então, independente de quem fosse o governo, não se mexia. Tanto é que o ministro da Educação era mantido, porque aquilo era uma política de Estado, não era política de governo. E nós não. O Brasil não”, lamentou.

Ideologia em detrimento do aprendizado essencial

Para Djalma, as frequentes modificações nas Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) refletem um Congresso muitas vezes permeável a pressões de grupos organizados e distante da realidade da sala de aula:

“A LDB foi modificada e você via a parte política que existia lá: movimento LGBT, movimento racial… Era político, era ideológico. Ninguém estava preocupado se a criança ia chegar no final do ensino fundamental lendo, interpretando texto, escrevendo e fazendo conta. Queria militar, queria impor uma política ideológica nas diretrizes”, criticou.

O educador observou que o investimento público precisa ter como foco irrestrito a base: “Houve um investimento tão grande em Fies, em universidades — e não que se desprestigie isso —, mas a educação básica é a principal, é a obrigação que o Estado tem que estar atento, tem que investir no professor e na valorização”, sustentou Martins.

Serviço

Apresentação: Ronaldo Nezo

Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio

Assista o episódio completo do podcast no canal do Maringá Post no YouTube.