O Corinthians suspendeu o pagamento da terceira parcela de 2026 da dívida da Neo Química Arena.
O valor da parcela era de aproximadamente R$ 28 milhões e venceu em setembro.
A suspensão ocorreu com aval da Caixa Econômica Federal, segundo dirigentes do clube.
Portanto, não se trata, neste momento, de um calote unilateral.
O Corinthians já havia pago as duas primeiras parcelas do ano, que somaram R$ 56 milhões.
A dívida da Arena com a Caixa está atualmente em cerca de R$ 630 milhões.
A diretoria quer aproveitar a negociação para tentar encerrar definitivamente esse débito.
A proposta apresentada à Caixa envolve os naming rights do estádio.
Hoje, o nome Neo Química Arena está vinculado à Hypera Pharma, em contrato firmado em 2020.
O Corinthians propõe que a Caixa passe a explorar comercialmente o nome do estádio.
A diretoria calcula que os direitos possam valer cerca de R$ 70 milhões por ano.
O contrato atual da Hypera representa cerca de R$ 15 milhões anuais, corrigidos pela inflação.
A proposta não envolve apenas o nome da Arena.
O Corinthians também oferece outros ativos comerciais e financeiros ao banco.
Entre eles estão operações bancárias do clube, pagamento de salários e produtos relacionados ao programa Fiel Torcedor.
A ideia é que o valor econômico desses ativos seja considerado na negociação da dívida.
Na prática, o Corinthians tenta trocar uma dívida financeira por receitas e direitos comerciais futuros.
O objetivo imediato é aliviar o caixa do clube.
O objetivo principal é deixar de carregar a dívida da Arena até 2041, prazo previsto na renegociação feita em 2022.
O clube também pediu à Caixa a liberação de aproximadamente R$ 27 milhões mantidos em uma conta de reserva.
Esse dinheiro funciona como garantia da operação financeira do estádio.
A diretoria considera que os recursos poderiam ajudar no funcionamento financeiro do clube.
A negociação ocorre em meio a uma grave crise financeira no Corinthians.
Por isso, a dívida da Arena é tratada pela atual administração como um dos principais problemas a serem resolvidos.
Mas a operação ainda não está concluída.
A Caixa não confirmou os detalhes da negociação, alegando sigilo bancário.
Também não há, até agora, confirmação de que os R$ 630 milhões tenham sido efetivamente quitados.
O que está confirmado é a suspensão da parcela de setembro e a continuidade das negociações.
Se houver acordo, o Corinthians poderá transformar o passivo do estádio em uma operação comercial.
Até lá, a dívida continua existindo.
A suspensão da parcela, portanto, é parte da negociação, e não a quitação da Arena.
















