A busca por viagens mais acessíveis e a necessidade de otimizar os gastos do dia a dia têm transformado o mercado de milhas em um setor promissor em Maringá. Profissionais da cidade têm investido na consultoria e no gerenciamento contínuo de programas de fidelidade, ajudando consumidores a fugirem de armadilhas comuns — como deixar pontos expirarem ou trocá-los por produtos de baixo valor.
A trajetória do ex-professor de Educação Física Rodrigo Zaparoli ilustra essa mudança. Diante das limitações do calendário escolar, que o obrigavam a viajar apenas na alta temporada, Zaparoli passou a estudar o funcionamento dos programas de recompensas para baratear suas próprias passagens. A prática virou negócio em março de 2023, quando fundou a AdMilhas. A empresa oferece desde consultorias individuais até a gestão integral de contas, modalidade em que cuida de todo o processo de acúmulo e emissão para clientes sem tempo para acompanhar as regras do mercado.
Na mesma linha de atuação, o engenheiro Marcel Bortolanza ingressou no segmento a partir de seus estudos sobre educação financeira e uso consciente do cartão de crédito. Ao perceber que o universo das milhas permitia economizar não apenas em voos, mas também em hospedagens, passou a atuar como consultor e produtor de conteúdo na área.
O mito do cartão de crédito
Uma das principais convergências entre os especialistas é o alerta de que o cartão de crédito não é a principal fonte para gerar pontos. Segundo Bortolanza, o uso do plástico representa apenas 20% do potencial de acúmulo.
O verdadeiro diferencial está nas chamadas compras bonificadas e nas transferências promocionais. Zaparoli explica que realizar compras do cotidiano por meio de parceiros dos programas de fidelidade pode gerar dezenas de vezes mais pontos do que o gasto direto no cartão. Já nas transferências bonificadas entre bancos e companhias aéreas, o saldo pode receber acréscimos de 20% a 100% de bônus, momento crucial para multiplicar o patrimônio em milhas.
Resgates desvantajosos
Outro erro recorrente apontado pelos consultores é o resgate de pontos por mercadorias, cashback ou descontos na fatura do cartão. “A grande maioria acaba trocando os pontos por produtos sem saber fazer a conta. Trocar por panela ou cashback é uma forma comum de perder dinheiro”, alerta Bortolanza.
Zaparoli exemplifica o impacto financeiro com o caso de um cliente que pretendia resgatar uma geladeira com seu saldo: após a intervenção da consultoria e a venda estratégica das milhas, o valor obtido foi quase o dobro do preço do eletrodoméstico.
Além da otimização financeira, o gerenciamento profissional atua na resolução de imprevistos e na burocracia de cancelamentos. Em um caso recente, Zaparoli precisou reestruturar em menos de 24 horas toda a logística de uma viagem de classe executiva para as Maldivas, com conexões em Dubai e Doha, devido a tensões geopolíticas no Oriente Médio, garantindo o remanejamento completo do itinerário dos clientes sem perda do investimento.
Dicas essenciais para não “rasgar dinheiro”:
- Diferencie Pontos de Milhas: Pontos ficam acumulados nos programas dos bancos; milhas são geradas quando esses pontos são transferidos para as companhias aéreas.
- Atenção aos prazos: O tempo padrão de expiração varia entre 1 e 2 anos. Pontos vencidos representam perda direta de dinheiro.
- Avalie a emissão: Pagar uma passagem com milhas nem sempre é mais vantajoso do que em dinheiro. É preciso calcular o custo de geração de cada milha antes de emitir o bilhete.
- Terceirização e gestão: Para quem tem alto acúmulo e falta de tempo para acompanhar promoções e regras complexas, a gestão profissional evita a perda de prazos e otimiza o uso do saldo.















