A Universidade Estadual de Maringá (UEM) conquistou uma importante vitória para a ciência e para a saúde pública: o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu à instituição a patente de duas moléculas promissoras no combate a infecções fúngicas graves. A conquista marca a 80ª patente da história da UEM e abre caminho para a criação de remédios mais eficazes e com menos efeitos colaterais para a população.
Atualmente, o tratamento contra fungos super-resistentes é um grande desafio para a medicina mundial, já que existem poucas opções disponíveis no mercado e muitas delas causam reações adversas pesadas nos pacientes. Para mudar esse cenário, pesquisadores da UEM, em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e um laboratório de pesquisa da França, criaram uma abordagem inovadora. Em vez de testar remédios ao acaso, os cientistas usaram computadores de alta precisão para desenhar e escolher moléculas capazes de atacar diretamente a tioredoxina redutase, uma enzima essencial para a sobrevivência dos fungos. Como essa estrutura é exclusiva dos micro-organismos e não afeta as células humanas da mesma forma, o remédio consegue agir no alvo certo com muito mais segurança.
Os testes realizados em laboratório e em animais mostraram que os novos compostos foram altamente eficazes contra fungos causadores de doenças graves. Entre os principais alvos estão a paracoccidioidomicose, enfermidade que afeta principalmente trabalhadores rurais na América Latina; a Candida albicans, associada a infecções hospitalares generalizadas; e o Cryptococcus neoformans, fungo responsável pela meningite fúngica. Além das infecções por fungos, as moléculas também demonstraram ação contra a bactéria causadora da tuberculose (Mycobacterium tuberculosis), descoberta que gerou um segundo pedido de patente que permanece em análise no INPI.
A pesquisa começou na UnB e ganhou continuidade na UEM sob a liderança das professoras Érika Seki Kioshima Cotica e Terezinha Inez Estivalet Svidzinski, contando com o apoio financeiro de agências de fomento como a Fundação Araucária e o CNPq. Com o documento oficial da patente em mãos, a equipe de cientistas trabalha agora no aperfeiçoamento da fórmula e busca parcerias com a indústria farmacêutica para transferir a tecnologia, permitindo que grandes laboratórios produzam os medicamentos e façam a descoberta maringaense chegar aos hospitais e farmácias.(Com informações da ASC/UEM)




















