Panfletos no bueiro e a lição das ruas: Clemilson Correia reflete sobre ética e o custo dos atalhos nos negócios

Foto: VMark Estúdio / Maringá Post
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Maringá — A linha tênue entre a esperteza passageira e a construção de um legado profissional sólido foi o ponto de partida de uma das reflexões mais contundentes do empresário Clemilson Correia no podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post. Em conversa com o jornalista Ronaldo Nezo no VMark Estúdio, o fundador e CEO da Buysoft relembrou uma passagem de sua adolescência que moldou sua conduta à frente de um dos maiores grupos de tecnologia do país.

Aos 15 anos, contratado informalmente para distribuir folhetos no bairro Hermans Moraes de Barros, Clemilson deparou-se com a primeira prova prática de integridade. Próximo ao meio-dia, ainda com mais da metade de sua sacola cheia, viu dois colegas que haviam recebido a mesma carga já descansando, comendo pão com mortadela e tomando refrigerante.

“Eles riram de mim. Foi aí que percebi que tinham jogado os panfletos no bueiro para ir embora mais cedo”, relatou Correia. O empresário conta que a educação rigorosa recebida do pai falou mais alto: “Eu era incapaz de jogar qualquer folheto no bueiro. Naquele momento, era o temor pela disciplina que meu pai me dera. Fiquei entregando panfleto até às oito da noite”.

Jogar pelas regras do jogo

A experiência serviu de esteio moral para toda a sua trajetória corporativa. Citando o lendário executivo Jack Welch, ex-CEO da General Electric (GE), Clemilson sustentou que a única vitória legítima é conquistada dentro da legalidade: “Jack Welch dizia que nós devemos ganhar jogando as regras do jogo. A regra daquele trabalho era entregar o panfleto. Eu cumpri a minha missão”.

Para o empresário, atitudes cotidianas revelam a postura de um líder nos negócios: “Não se constrói nada duradouro pegando atalhos. Hoje eu vejo pessoas querendo burlar o fisco, abrir empresa em nome de terceiros ou operar sem nota fiscal para levar vantagem imediata. Mas nenhuma grande organização sobrevive no longo prazo sustentada por caixa dois ou ilegalidade. O atalho é uma ilusão que sempre cobra um preço alto lá na frente”.

Serviço

Apresentação: Ronaldo Nezo

Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio

Assista o episódio completo do podcast no canal do Maringá Post no YouTube.