Quem atravessa Maringá em um dia de calor pode estar na mesma cidade, mas não necessariamente enfrentando a mesma temperatura.
Pesquisas realizadas em diferentes pontos do município mostram que existem diferenças importantes entre as regiões. A explicação está principalmente na quantidade de árvores, no tipo de ocupação urbana, na presença de áreas pavimentadas, no solo exposto e na densidade das construções.
Um estudo realizado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), com medições em dez episódios de inverno de 2016, encontrou uma diferença de até 6,4°C entre os pontos analisados.
A pesquisa utilizou o chamado transecto móvel, método que permite registrar temperatura e umidade em diferentes locais da cidade durante o mesmo período.
O trabalho, publicado nos anais da Sociedade Brasileira de Geografia Física, identificou características diferentes entre áreas com maior concentração de edificações, pavimentação e vegetação.
Onde o calor aparece com maior intensidade
Outra pesquisa, baseada em imagens de satélite, identificou áreas de maior temperatura de superfície em diferentes bairros de Maringá.
Os resultados apontaram maior ocorrência de ilhas de calor em bairros mais novos, especialmente em partes das regiões norte e sul da cidade.
Entre os locais identificados no estudo estão Jardim Dias, Jardim Licce, Loteamento Sumaré, Jardim Santa Clara, Jardim Universo, Jardim Itália, Cidade Monções, Jardim Espanha, Jardim Nilza, Jardim Noroeste, Jardim Campo Belo, Jardim Aurora e Jardim Paris, entre outros.
Nessas áreas, as imagens analisadas registraram temperaturas de superfície superiores a 40°C em determinadas situações.
É importante observar que temperatura de superfície não significa necessariamente a temperatura do ar medida por um termômetro à altura das pessoas. O asfalto, os telhados e outras superfícies podem atingir temperaturas muito superiores à do ar.
As áreas mais arborizadas levam vantagem
O mesmo conjunto de pesquisas encontrou comportamento diferente em áreas mais antigas e arborizadas da cidade.
Vila Operária e Zona 2 aparecem entre os locais com menor ocorrência do fenômeno estudado.
A explicação está principalmente na arborização de grande porte. Árvores maiores produzem sombra sobre ruas, calçadas e edificações e reduzem o aquecimento das superfícies.
O estudo também observou que o Novo Centro passou a apresentar maior ocorrência de áreas quentes com o avanço da verticalização e da ocupação urbana.
Isso mostra que não é simplesmente uma questão de bairro antigo ou novo. A quantidade e o porte da vegetação, a pavimentação, o volume de construções e as características do terreno interferem diretamente no comportamento térmico.
Nem todo calor aparece nos termômetros oficiais
Existe ainda uma diferença importante para entender esses números.
A temperatura divulgada para Maringá nas previsões meteorológicas representa as condições observadas ou estimadas para uma área de referência. Ela não significa que todos os bairros estejam exatamente naquela temperatura.
O próprio Simepar mantém dados de estações meteorológicas para Maringá, mas uma estação não consegue representar as diferenças térmicas existentes em toda a área urbana.
Por isso, dois locais relativamente próximos podem apresentar sensação térmica e temperaturas diferentes dependendo da sombra, circulação do vento, pavimentação e quantidade de vegetação.
O que isso significa para o próximo verão
Os estudos não permitem afirmar qual será exatamente a temperatura de cada bairro no verão de 2026/2027.
Eles permitem, porém, identificar uma tendência importante: regiões com pouca arborização, grande quantidade de pavimento e maior concentração de superfícies que absorvem radiação solar apresentam condições mais favoráveis à formação de ilhas de calor.
Em uma cidade que enfrenta períodos cada vez mais quentes, essa diferença deixa de ser apenas uma curiosidade.
Ela passa a ter relação com conforto térmico, consumo de energia, uso do ar-condicionado e exposição da população ao calor.
Por isso, conhecer as diferenças entre as regiões pode ajudar também no planejamento urbano.
Maringá pode ter um mapa atualizado do calor?
Sim. E esse é o próximo passo que pode tornar esse levantamento ainda mais preciso.
Imagens de satélite mais recentes podem ser utilizadas para identificar a temperatura de superfície em praticamente toda a área urbana.
O ideal seria cruzar essas informações com arborização, áreas impermeabilizadas, altitude, densidade de construções e dados das estações meteorológicas.
Com esse cruzamento seria possível chegar a um mapa mais atual de Maringá, mostrando quais regiões apresentam maior e menor aquecimento.
Os estudos existentes já mostram que a cidade não possui um comportamento térmico uniforme. A diferença de até 6,4°C registrada em pesquisa de campo da UEM reforça que o endereço pode fazer diferença também na temperatura enfrentada pelo morador.
Fontes: Universidade Estadual de Maringá (UEM), pesquisa científica sobre características termo-higrométricas de Maringá; Sociedade Brasileira de Geografia Física; Simepar, dados meteorológicos de Maringá.




















