Dólar encosta em R$ 5,20 e mercado olha a próxima semana

Moeda chegou a R$ 5,202 nesta sexta-feira e cenário externo aumenta a cautela dos investidores
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O dólar comercial voltou a ganhar força no Brasil e abriu a sexta-feira (24) a R$ 5,1931, com alta de 0,47%. Durante o pregão, chegou a R$ 5,202, aproximando-se do maior nível dos últimos meses.

A alta ocorreu em um ambiente de maior cautela nos mercados internacionais. Os juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos subiram, enquanto o petróleo avançou diante das incertezas envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã.

O petróleo Brent, referência internacional, terminou o dia a US$ 106,60, alta de 3,41%. O WTI fechou a US$ 94,61, avanço de 2,65%.

Esse movimento é importante para o Brasil porque petróleo mais caro pode aumentar a pressão sobre a inflação. Ao mesmo tempo, juros mais elevados nos Estados Unidos podem estimular investidores internacionais a direcionar recursos para ativos considerados mais seguros, reduzindo o interesse por mercados emergentes.

O cenário brasileiro também entrou no radar.

O Banco Central reduziu de 2% para 1,8% sua projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026. Para 2027, a previsão é de expansão de 1,4%. A Selic, depois do último corte, está em 13,75% ao ano.

O Relatório Focus divulgado em 21 de setembro mostrava que o mercado projetava dólar de R$ 5,20 no fim de 2026. Naquele momento, a mediana para a Selic no fim do ano era de 13,50%.

Agora, a questão é o comportamento da moeda na próxima semana.

Não existe uma projeção oficial capaz de determinar qual será a cotação do dólar em cada dia. A tendência dependerá principalmente do comportamento dos juros americanos, do petróleo, do cenário internacional e da percepção dos investidores sobre a economia brasileira.

Com o dólar já próximo de R$ 5,20, o mercado entra na próxima semana com atenção especial para a possibilidade de manutenção da pressão sobre o real. Se os juros dos Estados Unidos continuarem elevados e o petróleo permanecer acima de US$ 100 por barril, a moeda brasileira poderá continuar sob pressão.

Por outro lado, uma redução das tensões internacionais, uma queda do petróleo ou sinais de menor pressão sobre os juros americanos podem favorecer o real e provocar recuo do dólar.

O Banco Central também continua sendo um fator importante. Na quinta-feira, a autoridade monetária realizou dois leilões de linha, colocando US$ 1 bilhão no mercado para aumentar a liquidez. O fluxo cambial brasileiro acumulava saída líquida de US$ 7,078 bilhões até 18 de setembro.

Assim, para a semana que vem, o cenário mais acompanhado pelos analistas é de dólar ainda próximo da faixa de R$ 5,20, mas sujeito a oscilações relevantes.

Isso significa que empresas que dependem de produtos importados, consumidores que pretendem viajar ao exterior e setores que utilizam insumos cotados em dólar devem acompanhar o mercado com atenção.

Para o consumidor brasileiro, a permanência do dólar elevado também pode aparecer nos preços de produtos importados, componentes industriais, eletrônicos, medicamentos e outros itens cuja formação de preço tenha influência da moeda americana.

O quadro, portanto, não depende apenas do Brasil. A próxima semana começará com o mercado avaliando principalmente se a pressão internacional que levou o dólar a R$ 5,20 foi passageira ou se representa uma mudança mais persistente no ambiente financeiro mundial.