Empresário Ariovaldo Costa Paulo relata bastidores de sociedade bilionária da Arilu

Após negociação de quatro anos, distribuidora maringaense integrou holding nacional com 4.500 colaboradores e faturamento de R$ 4,2 bilhões.
Foto: VMark Estúdio / Maringá Post
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Maringá — A consolidação de uma das maiores transações corporativas do setor atacadista e distribuidor do Brasil foi esmiuçada pelo empresário Ariovaldo Costa Paulo no podcast Ponto a Ponto. Fundador da Arilu Distribuidora, Costa Paulo compartilhou com o jornalista Ronaldo Nezo o processo que culminou na entrada da empresa maringaense na holding Braveo, formando uma operação que figura no topo do ranking nacional do setor.

A operação atual atesta a envergadura do grupo: são sete companhias integradas, 20 centros de distribuição espalhados pelo território nacional, um quadro superior a 4.500 colaboradores e faturamento anual conjunto de R$ 4,2 bilhões. No entanto, o desfecho exigiu um longo processo de amadurecimento e recuos estratégicos.

Quatro anos de tratativas e resistência inicial

Segundo Ariovaldo, as negociações se estenderam por quase quatro anos, com diversas desistências no meio do caminho. “Eles vieram quatro vezes conversar com a gente. Em duas ocasiões, eles atenderam ao que pedimos e mesmo assim nós recuamos. Na terceira vez, apresentaram uma proposta e eu disse expressamente que não venderia”, contou o empresário.

Convocado a uma reunião na sede dos investidores, em São Paulo, para expor os motivos da recusa, Costa Paulo foi direto: “Expliquei com franqueza que não acreditava no modelo do projeto deles, pois a dinâmica da distribuição atacadista é completamente diferente da lógica do varejo tradicional. Expus os pontos operacionais e voltei para Maringá. Meses depois, eles retornaram reconhecendo que precisavam da nossa expertise no segmento para construir o projeto em conjunto”.

O empresário frisou que a negociação não decorreu de fragilidade financeira ou crise de sucessão: “Nós vendemos a participação no nosso melhor momento. A empresa estava com caixa reforçado, excelente relacionamento com clientes e fornecedores e com sucessores prontos e atuantes. A decisão foi estratégica: o futuro exigirá muito investimento em tecnologia e inteligência artificial, e nós precisávamos de um parceiro de grande porte para enfrentar essa transformação”.

A adaptação à governança corporativa

A transição de fundador e controlador único para a condição de acionista e membro de conselho impôs um choque de cultura administrativa. “É uma mudança radical. Quando você é o único dono, você manda e decide de imediato. De repente, você passa a ter um conjunto extenso de regras e processos colegiados para cumprir”, pontuou Ariovaldo.

Embora mantenha autonomia executiva na gestão regional em Maringá, as diretrizes macros exigem alinhamento nacional: “A nível nacional tudo é compartilhado. As decisões estratégicas passam pelo crivo do conselho de administração, comitês de RH e compliance”, relatou o conselheiro.

Apesar da rigidez procedimental, Costa Paulo destacou que a profissionalização corporativa garante a sustentabilidade do conglomerado em escala nacional, permitindo que a operação nascida em Maringá dispute a liderança do abastecimento brasileiro com capacidade de investimento continuada.

Serviço

Apresentação: Ronaldo Nezo

Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio

Assista o episódio completo do podcast no canal do Maringá Post no YouTube.