Maringá — A consolidação da Associação Comercial e Empresarial de Maringá (Acim) como uma das entidades mais representativas do país passou por um ponto de inflexão na virada dos anos 1990 para os anos 2000. No podcast Ponto a Ponto, o empresário Ariovaldo Costa Paulo relembrou os bastidores de sua entrada na instituição e a postura adotada pela diretoria liderada por Jefferson Nogaroli para abrir a entidade e quebrar a percepção histórica de elitismo.
Costa Paulo revelou que, no início, mantinha forte resistência em ingressar nos quadros diretivos da associação: “Eu era associado porque acreditava no associativismo, mas quando o Jefferson me convidou para fazer parte da diretoria, eu falei para ele que tinha pavor da Acim e que não queria participar. Falei: ‘vocês são uma panelinha, um grupinho fechado'”.
A insistência de Nogaroli, no entanto, foi decisiva para romper a hesitação. “Ele insistiu várias vezes. Até que uma vez, em tom de brincadeira, disse: ‘se você não for meu diretor, o São Francisco vai parar de comprar de você’. Ele me deu uma dura, explicou que estava se sacrificando para profissionalizar a Acim e renovar os quadros e que eu também tinha que dar minha cota de contribuição. Aí eu topei o desafio”, recordou.
Visitas presenciais e criação do Conselho do Comércio
O objetivo central traçado pela gestão de Nogaroli era aumentar a base de filiados e democratizar a presença dos empresários na entidade. Com isso em mente, foi estruturado o Conselho do Comércio, e Ariovaldo engajou-se diretamente na execução dessa aproximação.
Naquela época, a Acim contava com um quadro modesto, oscilando em torno de 800 associados. Para romper o distanciamento, foi organizado um plano de visitas diretas aos comerciantes em seus próprios locais de trabalho. “Os diretores pegavam o cartão de visita e iam visitar os empresários de porta em porta. Nós nos colocávamos à disposição e convidávamos o lojista para vir tomar um café na Acim”, explicou Ariovaldo.
A ação presencial transformou a relação do comércio com a entidade de classe. “Muitos empresários diziam: ‘puxa, sou associado há tantos anos e nunca ninguém veio me visitar’. Nós começamos a apresentar o que a entidade fazia nos bastidores. Naquela época, o pequeno lojista não tinha facilidade de acesso a um comandante dos bombeiros, a um secretário ou a um prefeito. Nós começamos a trazer essas autoridades para conversar com eles na associação, promovendo palestras e visitas técnicas”, destacou Costa Paulo.
Mudança de cultura no associativismo
A mobilização capitaneada por Nogaroli e executada por sua diretoria atraiu mais de uma centena de novas lideranças para o Conselho do Comércio, desmistificando o isolamento da entidade. “Ali eu entendi que a Acim parecia uma panelinha apenas para quem estava de fora. Nós participamos ativamente para destampar a panela e colocar todo mundo para dentro”, pontuou o empresário.
Para Ariovaldo, esse movimento redefiniu a mentalidade empresarial maringaense, substituindo a rivalidade predatória pela cooperação associativista: “Antigamente, se alguém abria uma loja em frente a outra, os donos brigavam, falavam mal. O conceito evoluiu para o modelo de shopping: estão todos no mesmo plano, fazem campanhas coletivas para atrair o público e o diferencial de cada um fica no atendimento e no produto. Essa mudança comportamental é o que fez Maringá ser a capital do associativismo”.
Serviço
Apresentação: Ronaldo Nezo
Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio
Assista o episódio completo do podcast no canal do Maringá Post no YouTube.


















