A Prefeitura de Maringá, por meio da Secretaria de Segurança, alcançou projeção internacional ao se tornar finalista do Prêmio Herman Goldstein 2026, uma das mais prestigiadas premiações globais na área de segurança pública. O trabalho desenvolvido pela Patrulha Maria da Penha, da Guarda Municipal, está entre as sete iniciativas selecionadas em todo o mundo para apresentação na 34ª Conferência Anual de Policiamento Orientado para Problemas.
O evento é organizado pelas universidades estaduais do Arizona e do Texas e será realizado entre os dias 16 e 18 de novembro em Austin, no Texas (EUA).
O projeto finalista, intitulado “Prevenção da Escalada e Reincidência da Violência Doméstica Contra Mulheres Através de Monitoramento Contínuo Orientado por Inteligência”, foi idealizado pelo secretário de Segurança, Delegado Luiz Alves. A proposta partiu da premissa de que a concessão da medida protetiva de urgência, por si só, não garante a proteção integral da mulher, sendo o período entre a decisão judicial e a fiscalização um momento crítico de vulnerabilidade.
Reestruturação e resultados práticos
Desde janeiro de 2025, o modelo operacional da Patrulha Maria da Penha passou por uma reestruturação estratégica. A nova metodologia incluiu visitas preventivas com frequência calculada por critérios de risco, patrulhamento direcionado aos bairros com maior incidência de casos e integração direta entre Guarda Municipal, Vara de Violência Doméstica e Ministério Público.
As mudanças refletiram em dados concretos de redução da violência na cidade:
- Redução de 42,2% nos atendimentos que exigem intervenção adicional (situações de risco iminente), comparando o primeiro quadrimestre de 2025 (256 casos) com o mesmo período de 2026 (148 casos).
- Zero feminicídios registrados entre as mulheres monitoradas ativamente pela patrulha durante o período avaliado.
- Tempo médio de resposta de 5 minutos para chamados de urgência, viabilizado pela redistribuição das equipes em todas as regiões do município.
- Cerca de 1.200 mulheres acompanhadas continuamente pela equipe especializada.
Reconhecimento internacional
Para o secretário de Segurança, Delegado Luiz Alves, a atuação preventiva é o grande diferencial da metodologia aplicada em Maringá. “A violência doméstica é cíclica. Começa com manifestações de violência psicológica, moral e patrimonial que podem, na ausência de intervenção preventiva da autoridade, evoluir para formas mais graves de violência física, inclusive com risco à vida. Por isso, o modelo tradicional de policiamento reativo, que atua apenas após uma nova ocorrência, é limitado e nem sempre consegue preservar uma vida”, ressalta o secretário.
Os projetos concorrentes foram avaliados por um júri internacional composto por nove especialistas. Durante o evento no Texas, a iniciativa maringaense terá uma sessão plenária de até 65 minutos para apresentação detalhada e debate com o público especializado. (PMM)


















