A manifestação da ministra Cármen Lúcia durante a sessão do Supremo Tribunal Federal (STF), na terça-feira (15), ganhou grande repercussão e provocou manifestações de apoio de magistradas de diferentes partes do país.
Durante o julgamento, Cármen Lúcia afirmou estar em “profunda consternação e tristeza” com o momento vivido pelo Supremo e disse estar “um pouco até envergonhada” com a situação.
A ministra também pediu desculpas ao povo brasileiro. Segundo ela, o Judiciário existe para transmitir tranquilidade, mas os acontecimentos recentes acabaram produzindo o efeito contrário.
Cármen Lúcia afirmou ainda que o STF deveria contribuir para a estabilidade do país, especialmente a poucas semanas das eleições, mas acabou ocupando o centro das atenções por causa das disputas ocorridas dentro da própria Corte.
Entre as manifestações de apoio confirmadas está a de juízas de diversos tribunais brasileiros. Elas enviaram 12 buquês de flores e uma carta de apoio à ministra.
A carta foi assinada por 12 coletivos de magistradas e destacou que Cármen Lúcia “não está sozinha”. O documento também fez referência à trajetória da ministra e ao papel das mulheres na magistratura brasileira.
O gesto ocorreu depois de Cármen Lúcia assumir publicamente o desconforto com a situação do Supremo e reconhecer que, como integrante da Corte, gostaria de ter contribuído mais para preservar o rigor e a serenidade esperados do Judiciário.
A fala também recebeu numerosas manifestações de apoio nas redes sociais. Como não existe, até o momento, um levantamento independente que permita contabilizar todas essas manifestações, não é possível afirmar um número exato.
Outro ponto importante é que a manifestação de Cármen Lúcia não significou uma mudança em sua posição no processo. Durante a sessão, ela acompanhou o presidente do STF, Edson Fachin, na defesa da tramitação separada dos casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça.
A sessão terminou sem uma decisão definitiva. O ministro Flávio Dino pediu vista do processo, interrompendo a votação.
A declaração de Cármen Lúcia, porém, acabou se tornando um dos principais momentos da sessão.
Ao falar em “mal-estar cívico”, pedir desculpas à população e reconhecer que o Supremo havia gerado “intranquilidade”, a ministra expôs publicamente sua preocupação com a imagem da Corte e com a percepção da sociedade sobre o Judiciário.
O apoio recebido posteriormente por magistradas de diferentes tribunais acrescentou um novo elemento ao episódio: a manifestação de solidariedade de integrantes do próprio Judiciário à posição pública apresentada pela ministra.


























