O capitalismo de vigilância avança e mostramos como você pode abrir um canal livre de rastreadores

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Usar um serviço gratuito na internet nem sempre significa que você não vai pagar nada. Por vezes, você é o próprio valor, quando o serviço é grátis. Dados sobre os seus hábitos, cliques, localização, interesses e comportamentos ajudam a financiar esse serviço com publicidade e personalização.

O email também pode fazer parte dessa equação através de rastreamentos invisíveis inseridos nas mensagens e existem perigos na internet que você pode até nem conhecer, mas, com esse artigo, o seu conhecimento pode melhorar bastante.

 

O que é capitalismo de vigilância na prática?

Há 10 anos, quando se ouvia muito falar de Edward Snowden e das divulgações de espionagem dos Estados Unidos, começou a se falar muito do capitalismo de vigilância.

Isso engloba a coleta de comportamento digital, a criação de perfis, a personalização, a medição de abertura, cliques e navegação, e o cruzamento de informações entre os serviços.

O Brasil já regula parte desse rastreamento através da LGPD e da ANPD.

A LGPD é uma medida muito parecida com aquilo que existe na Europa, que é o Regulamento Geral de Proteção de Dados, que regula como os seus dados podem ser usados. Já a ANPD alerta para os riscos de cookies de publicidade e outras tecnologias usadas para criação de perfis, destacando a necessidade de transparência e de uma base legal adequada para o tratamento desses dados.

 

Fatos que você pode não conhecer

90,5% da população brasileira com 10 anos ou mais usou a internet no ano passado. Ou seja, sabemos que a internet está enraizada no Brasil muito cedo, e por isso os perfis digitais podem ser criados de forma muito precoce.

Já nos golpes digitais, o Banco Central do Brasil informou que 26% dos brasileiros entrevistados num estudo recente afirmam ter sido vítimas de golpes ou fraudes nos dois anos anteriores.

Esses fatos confirmam uma conclusão: a internet está cada vez mais perigosa.

Seu email também pode revelar mais do que você imagina

Os pixels e rastreadores que aparecem em algumas mensagens podem incluir elementos que permitem ao remetente obter informações sobre a interação com o e-mail, através da abertura de mensagens, cliques, carregamento de conteúdo remoto ou outros dados.

E o email é considerado uma identidade digital, ele é usado para criar contas, recuperar senhas, receber códigos, ver informações de newsletters e outros dados.

É possível criar um canal de comunicação com menos rastreamento mantendo o seu email num provedor desenvolvido com foco em privacidade, criptografia e bloqueio de mecanismos de rastreamento, especialmente para comunicações que você não quer associar a modelos de publicidade comportamental ou à criação de perfis digitais.

Privacidade não depende apenas do serviço escolhido

Manter um email seguro ou mudar para um endereço com foco em privacidade não resolve todos os problemas. Ainda é necessário adotar uma série de cuidados fundamentais tais como ter uma senha forte e exclusiva para cada site, ativar a autenticação de dois fatores, não clicar automaticamente em links e verificar cuidadosamente os remetentes.

Um serviço mais privado reduz determinadas formas de exposição, mas não pode proteger quem entrega a própria senha em uma página falsa, caindo depois em um golpe. É o conjunto de todas as medidas de proteção, junto com o email privado, que mantém a sua vida na internet mais segura.