A gestão do professor Leandro Vanalli na Reitoria da Universidade Estadual de Maringá (UEM) chega ao fim com um saldo marcado pela reorganização da infraestrutura, ampliação da permanência estudantil e reabertura de canais institucionais de diálogo. Em entrevista ao editor-chefe do portal Maringá Post, Cláudio Galleti, o reitor analisou os quatro anos à frente de uma das instituições de ensino superior mais importantes do Paraná, destacando que encerra o mandato com a sensação de dever cumprido.
A transição na reitoria ocorre após o encerramento do ciclo de quatro anos da atual gestão. Vanalli aponta que o período exige um balanço entre diagnóstico, planejamento e execução no ambiente público.
Infraestrutura e Reaproximação Institucional
Ao avaliar as principais conquistas da gestão, Vanalli dividiu os avanços entre realizações materiais e imateriais. No campo material, o destaque foi a retomada de obras e projetos de infraestrutura que estavam paralisados no campus e nos polos regionais.
Já no plano imaterial, o reitor enfatizou a reconstrução do diálogo com o Governo do Estado, com a sociedade civil organizada e com o poder público municipal.
“Essa aproximação com o Estado foi fundamental para a retomada de obras que eram um ‘calcanhar de Aquiles’ da UEM. Todo projeto depende do aspecto técnico e do recurso financeiro”, afirmou Vanalli, ressaltando que os investimentos estaduais foram decisivos para destravar intervenções em salas de aula e laboratórios.
A gestão também enfrentou o desafio de implementar a nova Lei de Licitações (Lei nº 14.133/2021) no ambiente universitário, adequando equipes para garantir a execução dos eixos estratégicos previstos.
Docência e Concursos Públicos
Outro ponto sublinhado durante a entrevista foi o impacto da Lei Geral das Universidades (LGU) no quadro funcional da UEM. Nos últimos quatro anos, a universidade realizou concursos e contratou mais de 250 professores efetivos, reduzindo significativamente a proporção de docentes temporários.
“Os temporários realizam um ótimo trabalho, ao qual registramos nossa gratidão. Mas o professor de carreira efetivo atua além da sala de aula: ele desenvolve pesquisa, extensão e atividades administrativas cruciais para a comunidade”, explicou o reitor.
Em relação aos agentes técnicos, Vanalli lembrou que, embora o quadro de servidores tenha encolhido em decorrência de aposentadorias nos últimos anos, a legislação atual permite a realização de novos concursos para suprir as demandas administrativas e de laboratório.
Avanços na Permanência Estudantil
Na área de assistência aos estudantes, o Restaurante Universitário (RU) passou por uma transformação estrutural e de atendimento. Antes restrito ao fornecimento de almoço, o RU passou a oferecer três refeições diárias: café da manhã, almoço e jantar.
De acordo com o reitor, o custo total para que o aluno faça as três refeições diárias não atinge R$ 10.
“É um grande legado da nossa gestão. Além disso, passamos de cerca de 100 isenções de refeições para mais de 300 estudantes em situação de vulnerabilidade”, destacou.
O espaço do RU também recebeu climatização, reformas internas e substituição de equipamentos.
Investimentos no Hospital Universitário
O fortalecimento do Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM) – referência para uma população estimada em 1,5 milhão de habitantes no Noroeste do Paraná – foi outro eixo central do mandato. A unidade teve o quadro de profissionais expandido via credenciamentos e contratações, além de melhorias físicas e estruturais.
Entre as obras e investimentos no HUM, destacou a aquisição de equipamento de ressonância magnética, Investimento de aproximadamente R$ 7 milhões em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Além da retomada do Bloco Industrial e fase final da obra paralisada há 15 anos, destinada a abrigar setores operacionais como lavanderia e depósitos.
Vanalli também salientou a conclusão da Central de Resíduos Hospitalares, retoma das obras do Banco de Leite, melhoria de leitos e licitação aberta para a Maternidade do HUM.
Conexão Urbana e Abertura à Comunidade
Questionado sobre os debates em torno da ligação viária entre trechos urbanos cortados pelo campus (tema frequentemente chamado de “transposição”), Vanalli ressaltou que prefere utilizar o termo “conexão”. O engenheiro civil explicou que a UEM já tem fluxo interno de veículos conectando o Portão 2 ao Portão 9 (Vila Esperança) e que qualquer nova proposta enviada pela Prefeitura de Maringá precisará de análise técnica rigorosa.
“Toda proposta deve ser discutida tecnicamente, avaliando impactos na Estação Climatológica, no Museu Dinâmico e na rotina operacional do campus. A universidade tem o dever de debater o assunto, mas a decisão final cabe aos Conselhos Superiores e à comunidade acadêmica”, pontuou.
Sobre a manutenção do campus, Vanalli apontou que houve avanços no manejo da vegetação e na execução de projetos modernos de iluminação. Ele defendeu que a UEM continue ampliando o diálogo com a população local.
“A UEM precisa se abrir cada vez mais para receber a comunidade de Maringá em suas quadras, museus e espaços, além de manter sua projeção internacional, que hoje conta com convênios com mais de 120 universidades ao redor do mundo”, ressaltou.
Ao concluir a entrevista, o reitor confirmou que, após um período de descanso, retornará às salas de aula e aos programas de pós-graduação da instituição como docente e pesquisador.













