Doação de órgãos: recusa familiar também é desafio para Maringá

Conscientização sobre a importância de comunicar a decisão à família pode aumentar as chances de captação e beneficiar pacientes que aguardam por transplantes
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A recusa familiar continua sendo um dos principais obstáculos para ampliar a doação de órgãos no Brasil — e o desafio também envolve a região de Maringá. Dados do Ministério da Saúde apontam que aproximadamente metade das famílias brasileiras ainda não autoriza a retirada de órgãos e tecidos de parentes que poderiam ser doadores.

Em 2026, o índice citado para o país está próximo de 45% de negativas familiares, resultado que representa milhares de oportunidades que deixam de ser aproveitadas no sistema de transplantes.

A legislação brasileira estabelece que a retirada de órgãos depende da autorização da família, mesmo quando a pessoa tenha manifestado em vida a intenção de ser doadora. Por isso, o Ministério da Saúde reforça que conversar previamente com familiares é uma das principais formas de aumentar a efetivação das doações.

Reflexo regional

Em Maringá, a estrutura de saúde integra a rede estadual responsável pela identificação e encaminhamento de potenciais doadores. O processo envolve hospitais, equipes especializadas e as Comissões Intra-Hospitalares de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), que atuam na identificação dos casos e na comunicação com a Central Estadual de Transplantes.

O tema ganha importância porque a decisão de uma única família pode representar mais de uma oportunidade de transplante. Dependendo das condições clínicas do doador, diferentes órgãos e tecidos podem ser destinados a pacientes que aguardam na lista do Sistema Nacional de Transplantes.

Outro ponto destacado pelas autoridades de saúde é que a doação somente é considerada depois da confirmação da morte encefálica e da conclusão dos procedimentos médicos necessários. A retirada não interfere nos esforços para salvar a vida do paciente.

Para Maringá e região, o principal desafio, portanto, não está apenas na estrutura hospitalar ou na logística de captação. A informação dentro de casa também pode determinar se uma oportunidade de doação será efetivamente transformada em transplante.

A orientação do Ministério da Saúde é simples: quem deseja ser doador deve comunicar claramente essa decisão aos familiares. No Brasil, essa conversa pode ser determinante para que a vontade seja respeitada no momento em que a família precisar autorizar a doação.

Referências: Ministério da Saúde/Sistema Nacional de Transplantes; Secretaria de Estado da Saúde do Paraná.