O mercado brasileiro de livros apresentou um movimento aparentemente contraditório nos últimos anos: mais pessoas estão comprando livros, mas o número de brasileiros classificados como leitores continua em queda. Os dados mais recentes indicam que o livro mantém espaço no consumo, embora os hábitos de leitura estejam passando por uma transformação.
Segundo a pesquisa Panorama do Consumo de Livros, divulgada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) em 2026, 18% dos brasileiros com 18 anos ou mais compraram pelo menos um livro em 2025. O índice representa crescimento de dois pontos percentuais em relação a 2024 e corresponde a aproximadamente 3 milhões de novos compradores.
O cenário é diferente quando se considera o hábito de leitura. A sexta edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro, Fundação Itaú e Ministério da Cultura, identificou 93,4 milhões de leitores em 2024, equivalentes a 47% da população. O número representou uma redução de 6,7 milhões de leitores em quatro anos.
A pesquisa considera leitor quem leu, inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos três meses anteriores. Em 2019, eram 52% da população nessa condição; em 2024, o percentual caiu para 47%.
Ao mesmo tempo, a leitura não está desaparecendo, mas mudando de formato. Levantamento divulgado em setembro de 2026 aponta cerca de 94 milhões de leitores digitais no país, considerando pessoas que utilizaram celular, computador ou dispositivos específicos para acessar livros, notícias, PDFs, audiolivros, quadrinhos e outros conteúdos.
O celular também favorece o crescimento dos audiolivros. O formato vem ganhando espaço, impulsionado pela popularização dos podcasts e pela possibilidade de consumir livros durante deslocamentos, atividades domésticas e outros momentos em que a leitura tradicional é menos conveniente.
A mudança, portanto, não significa necessariamente que o brasileiro tenha deixado de consumir conteúdo escrito. O que está em transformação é a maneira de acessar esse conteúdo. Livros físicos, e-books, audiolivros, textos digitais e conteúdos literários nas redes sociais passaram a disputar o mesmo tempo disponível do consumidor.
O desafio permanece na formação do hábito de leitura. Na pesquisa Retratos da Leitura, 55% dos leitores apontaram a falta de tempo como principal motivo para não ler mais. Entre os não leitores, 33% disseram não gostar de ler.
Os números de 2026 mostram, assim, um mercado que consegue ampliar o número de compradores enquanto enfrenta dificuldades para ampliar a quantidade de leitores habituais. O livro continua sendo consumido, mas a leitura brasileira está cada vez mais ligada à diversidade de formatos e às novas tecnologias.




















