Apagão de motoristas: faltam profissionais para conduzir a safra brasileira

No Ponto a Ponto, Claudio Adamuccio alerta para o descompasso entre a demanda e a formação de novos motoristas no país.
Foto: VMark Vídeo
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Maringá — A produção agrícola brasileira bate recordes sucessivos a cada colheita. No entanto, o país enfrenta um risco silencioso e iminente: a falta de profissionais qualificados para transportar essa riqueza pelas rodovias.

Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, o diretor-presidente do G10 e diretor administrativo da Transpanorama, Claudio Adamuccio, alertou que o setor já opera no limite. “O apagão de motoristas não é que vai acontecer no futuro. Ele já é uma realidade hoje”, afirmou o empresário ao jornalista Ronaldo Nezo. “Já temos empresas no Brasil com centenas de caminhões parados nos pátios por pura falta de motoristas”.

Envelhecimento da categoria 

O executivo apresentou dados que revelam a gravidade da transição geracional. Na frota sob sua gestão, a idade média dos condutores saltou de 34 anos e 8 meses em 2020 para mais de 41 anos em 2026.

“Acontece o fenômeno da abertura da boca de jacaré”, explicou Adamuccio. “O Brasil fabrica cerca de 120 mil caminhões novos todos os anos, mas o governo emite apenas 60 mil novas habilitações profissionais no mesmo período. A frota cresce, os motoristas mais antigos se aposentam e os jovens não estão entrando na carreira”.

Para o líder empresarial, a perda de atratividade da profissão decorre de múltiplos fatores culturais e tecnológicos. “A sociedade passou anos desincentivando os jovens a seguirem a profissão. Além disso, surgiram novas alternativas com maior flexibilidade e a nova geração prefere interagir com o mundo pelas telas”, pontuou. “Se não houver incentivo e valorização real da categoria, o país enfrentará um travamento logístico de grandes proporções”.

Serviço

Apresentação: Ronaldo Nezo

Produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio

Assista o episódio completo do podcast no canal do Maringá Post no YouTube.