ANAC suspende operações da Total Linhas Aéreas e acende alerta sobre transporte dos Correios

Decisão é preventiva e por prazo indeterminado; agência aponta falhas de segurança, aeronavegabilidade e gestão de riscos. Medida não foi motivada pelas dívidas dos Correios
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A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) suspendeu integralmente, a partir de 1º de setembro, as operações da Total Linhas Aéreas. A decisão foi publicada nesta quarta-feira (2) e impede a companhia de realizar voos vinculados ao seu Certificado de Operador Aéreo (COA).

A medida tem caráter preventivo, é por prazo indeterminado e permanecerá em vigor até que a empresa comprove a correção dos problemas apontados pela agência.

Segundo a decisão da ANAC, foram identificadas condições de risco e não conformidades consideradas críticas e de alto nível em diferentes áreas da operação.

Entre as exigências estão a regularização dos controles de aeronavegabilidade das aeronaves, a correção de procedimentos de segurança operacional e a melhoria dos processos internos de identificação e tratamento de riscos.

A agência também determinou a comprovação da efetividade do Sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional e do Sistema de Análise e Supervisão Continuada.

Outro ponto envolve a recomposição do quadro administrativo exigido pela regulamentação do setor aéreo.

A Total somente poderá retomar as operações depois de apresentar as correções e passar por novas auditorias e fiscalizações da ANAC com resultados considerados satisfatórios.

E os Correios?

A suspensão tem impacto direto sobre os Correios porque a Total é uma das empresas contratadas para realizar o transporte aéreo de cargas e encomendas da estatal. O cadastro de fornecedores dos Correios confirma a contratação da Total Linhas Aéreas.

Isso, porém, não significa que a suspensão tenha sido provocada pela situação financeira dos Correios.

A decisão da ANAC não aponta falta de pagamento, dívidas ou problemas contratuais com os Correios como motivo para a suspensão. O fundamento apresentado pela agência é exclusivamente relacionado às condições de segurança, aeronavegabilidade, gestão de riscos e cumprimento das exigências regulatórias pela Total.

Crises diferentes, efeitos que podem se encontrar

Os Correios atravessam uma grave crise financeira, com prejuízo acumulado de R$ 5,55 bilhões no primeiro semestre de 2026. A estatal também está em processo de reestruturação financeira.

A suspensão da Total, entretanto, é um problema de natureza diferente.

O que pode ocorrer é uma consequência indireta: como a Total presta serviço aos Correios, a interrupção de suas operações obriga a estatal a reorganizar parte do transporte aéreo de encomendas e cargas.

Portanto, não há, até o momento, evidência de que as dívidas dos Correios tenham provocado a suspensão da Total pela ANAC.

O que existe é uma coincidência entre uma crise financeira enfrentada pelos Correios e uma medida regulatória contra uma de suas prestadoras de serviço.

A prioridade da ANAC, neste caso, é a segurança das operações aéreas. A retomada dos voos dependerá do cumprimento das exigências estabelecidas pela agência.