Natura perde mais de 80% do valor em cinco anos e enfrenta uma das maiores crises de sua história

Problemas de operação, queda nas vendas, integração da Avon e uma expansão internacional que não entregou o resultado esperado obrigaram a empresa a mudar de estratégia e trocar novamente o comando
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A Natura atravessa uma das fases mais difíceis de sua história. Em cerca de cinco anos, a companhia perdeu mais de 80% de seu valor de mercado, resultado de uma combinação de problemas operacionais, queda nas vendas, dificuldades de integração da Avon e mudanças no mercado de cosméticos.

A crise ganhou força depois de uma estratégia de expansão internacional que levou a empresa a incorporar grandes marcas. A aquisição da Avon, em 2019, transformou a Natura em um grupo global, mas a integração das operações se mostrou mais complicada do que o esperado.

A companhia também passou por uma sequência de desinvestimentos. A Aesop foi vendida para a L’Oréal, enquanto a operação internacional da Avon também deixou de fazer parte do grupo. Em 2025, a Natura concluiu ainda a integração das operações da Natura e da Avon na América Latina.

O problema, porém, não ficou apenas na estrutura corporativa. Em 2026, a operação brasileira passou a enfrentar dificuldades de abastecimento. Faltaram produtos em determinados momentos, prejudicando as vendas e a relação com consumidores e consultoras.

No segundo trimestre de 2026, a receita da Natura no Brasil caiu 14,8%, enquanto a marca Natura recuou 14,5% e a Avon teve queda de 22,5%.

O resultado financeiro também mostrou a gravidade do momento. No primeiro trimestre, a companhia registrou prejuízo de R$ 445 milhões, enquanto a dívida líquida chegou a aproximadamente R$ 4 bilhões.

No segundo trimestre, o lucro líquido caiu 82%, para cerca de R$ 35 milhões, segundo os dados divulgados pela companhia. O desempenho foi afetado principalmente pela redução das vendas no Brasil e pelos problemas de abastecimento.

Mudança de comando

A crise também provocou uma mudança importante na administração.

João Paulo Ferreira, que estava havia dez anos no comando da empresa, deixará a presidência executiva. Para substituí-lo, a Natura escolheu Alessandro Carlucci, que já havia comandado a companhia entre 2005 e 2014.

A mudança representa uma tentativa de recuperar a eficiência operacional e aproximar novamente a empresa de seu negócio principal.

A Natura agora concentra esforços na América Latina, especialmente no Brasil, e tenta simplificar sua estrutura depois de anos de expansão internacional.

O desafio é voltar a crescer

O tamanho da crise pode ser percebido pela distância entre a importância histórica da Natura e seu atual valor na Bolsa.

A empresa continua sendo uma das marcas brasileiras mais conhecidas no setor de beleza, possui uma extensa rede de consultoras e mantém presença relevante em vários países latino-americanos.

O problema é transformar essa força de marca novamente em crescimento, vendas e lucro.

A Natura precisa recuperar a regularidade no abastecimento, melhorar sua capacidade de lançar produtos, reconquistar consumidores e enfrentar uma concorrência que se tornou mais rápida e diversificada.

A queda superior a 80% no valor de mercado, portanto, não representa apenas uma desvalorização das ações. É o reflexo da perda de confiança dos investidores em uma empresa que agora precisa provar que consegue voltar a crescer de forma simples, eficiente e sustentável.