Sucesso sem milhões: quando uma ideia simples vira sustento

Em Maringá, histórias de quem começou pequeno mostram que empreender também pode significar conquistar autonomia, pagar as contas e realizar um sonho
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Nem todo empreendedor sonha em construir uma grande empresa. Para muita gente, sucesso significa algo bem mais simples: ter uma renda própria, ajudar a família, pagar as contas e conquistar, pouco a pouco, uma vida melhor.

Maringá e região têm milhares de histórias assim. São pessoas que começaram com pouco dinheiro, muitas vezes dentro de casa, na rua ou aproveitando uma habilidade que já possuíam.

Um exemplo é o de Maicola, que transformou a venda de bombons em uma atividade conhecida entre estudantes e trabalhadores da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

A história começou de maneira familiar. A mãe já trabalhava com chocolate havia mais de dez anos. Em 2019, quando entrou na universidade, Maicola começou vendendo bombons para colegas próximos.

Em 2023, decidiu ampliar a atividade e passou a vender os chocolates em frente à Biblioteca Central da UEM, utilizando o próprio carro como ponto de apoio, com ajuda da namorada. A ideia simples ganhou clientes e criou uma comunidade de consumidores.

Outra história que chamou atenção em Maringá é a de Gabriel da Silva Rocha, que encontrou uma maneira bastante simples de financiar um sonho.

Aos 22 anos, começou a vender tortinhas em um semáforo da cidade para conseguir dinheiro para sua formação como piloto de avião.

O que poderia ser apenas uma venda de rua tornou-se uma fonte de renda para ajudar a bancar o projeto pessoal. Em agosto deste ano, Gabriel realizou o primeiro voo de sua formação para piloto privado.

Há também histórias em que uma habilidade pessoal acaba virando profissão.

Em Maringá, a trajetória de , trancista, começou muito antes de ela chegar à cidade. Na Bahia, ainda jovem, vendia cocadas e sonhos para ajudar na compra do material escolar.

Depois de passar por diferentes atividades profissionais, chegou a Maringá e começou a oferecer serviços de trancista em casa.

Aos poucos, aquilo que poderia ser apenas uma atividade complementar tornou-se uma profissão e uma forma de construir independência financeira. A história foi registrada pelo Sebrae Paraná como exemplo de empreendedorismo.

O tamanho real do pequeno empreendedor

Essas histórias ajudam a explicar uma realidade que muitas vezes passa despercebida.

Maringá já possui mais de 51 mil microempreendedores individuais, segundo levantamento divulgado em julho deste ano. Em Sarandi, são cerca de 15 mil.

São milhares de pessoas trabalhando com alimentação, beleza, comércio, manutenção, vendas, serviços, produção artesanal e outras atividades que podem começar com poucos recursos.

O ponto em comum entre muitas delas não é o tamanho do faturamento.

É a capacidade de começar.

Uma cozinha pode virar uma pequena produção de alimentos. Um conhecimento pode virar serviço. Um produto feito pela família pode encontrar compradores. Uma habilidade que antes era apenas um hobby pode se transformar em profissão.

Sucesso também pode ser pagar as próprias contas

As histórias de Maicola, Gabriel e Jô mostram um outro lado do empreendedorismo.

Não são histórias de grandes investimentos, prédios, franquias ou faturamentos milionários.

São histórias de pessoas que encontraram uma maneira de transformar trabalho, criatividade e persistência em renda.

E talvez essa seja uma das faces mais importantes do empreendedorismo brasileiro: aquela que não aparece nas listas de grandes empresários, mas está todos os dias nas ruas, nas universidades, nas casas e nos pequenos negócios.

Porque, para quem começa do zero, conseguir viver do próprio trabalho já pode ser uma grande história de sucesso.