Maringá — A busca por medicamentos que auxiliam na redução de peso cresceu em ritmo acelerado nos últimos anos. As canetas emagrecedoras tornaram-se ferramentas consagradas nos consultórios. No entanto, o uso desses fármacos sem acompanhamento multidisciplinar pode trazer danos severos à composição corporal.
Durante participação no Ponto a Ponto, o médico endocrinologista Márcio Canever alertou que o emagrecimento rápido sem treino de força queima o tecido muscular. “Emagrecer de verdade é perder gordura corporal, não é apenas ver o número da balança baixar”, pontuou o especialista. “Como essas medicações reduzem muito o apetite, a pessoa para de comer e perde massa magra rapidamente”.
A armadilha do efeito sanfona no desmame
Segundo Canever, a dependência psicológica do medicamento ocorre quando o paciente ignora a necessidade de reeducar a rotina antes de suspender as doses. Sem novos hábitos consolidados, o reganho de peso ocorre logo após o desmame da droga.
“A medicação é excelente e traz inúmeros benefícios metabólicos, mas ela precisa ser retirada em algum momento”, explicou o médico. “O que molda o nosso futuro é aquilo que fazemos de forma contínua e repetida, não o que fazemos esporadicamente. Se o paciente não constrói novos hábitos enquanto usa a caneta, ele voltará para o efeito sanfona assim que interromper o tratamento”.
O endocrinologista reforçou que qualquer intervenção farmacológica exige sustentação com ingestão proteica equilibrada e exercícios resistidos. “O remédio reduz o apetite, mas quem faz o emagrecimento acontecer é a dieta balanceada e o exercício físico”, concluiu. “Usar o fármaco como muleta definitiva é trocar um problema por outro a longo prazo”.
Serviço
Assista o episódio completo do podcast Ponto a Ponto no canal do Youtube do jornal Maringá Post.
Apresentação: Ronaldo Nezo
Produção: VMark Estúdio
O Dr. Márcio Canever é endocrinologista e metabologista na Clínica Canever, em Maringá.
Site: www.clinicacanever.com.br


















