O governo federal editou a Medida Provisória 1.388/2026, publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (25), autorizando R$ 3,152 bilhões em crédito extraordinário para financiar benefícios destinados a produtores e importadores de combustíveis. O valor corrige a cifra inicialmente divulgada de R$ 3,15 bilhões.
Do total, R$ 2,55 bilhões são destinados ao diesel rodoviário, enquanto R$ 600 milhões financiam benefícios relacionados a derivados de petróleo, incluindo a gasolina.
A medida dá continuidade a um programa criado para reduzir os efeitos da disparada internacional dos preços dos combustíveis provocada pelo conflito no Oriente Médio. O benefício para o diesel corresponde a uma subvenção de R$ 1,12 por litro, destinada aos produtores e importadores, com regras para o repasse do benefício ao mercado.
Para o agronegócio, a decisão tem importância direta. O diesel é utilizado em tratores, colheitadeiras, caminhões e demais equipamentos empregados na produção e no transporte de grãos, além de representar parcela relevante dos custos logísticos.
No Paraná, onde o transporte rodoviário tem papel fundamental no escoamento da produção, a redução da pressão sobre o diesel pode ajudar a limitar a elevação dos fretes. Em março, o setor já registrava preocupação com a alta do combustível e com possíveis reflexos sobre a safra.
Em Maringá e na região, o efeito interessa especialmente à cadeia de soja, milho, trigo e outros produtos agrícolas, além das empresas de transporte, cooperativas, armazenadoras e revendas de insumos.
O benefício, porém, não significa que o combustível ficará necessariamente R$ 1,12 mais barato na bomba em todos os postos. O mecanismo é uma subvenção aos produtores e importadores e depende das condições previstas na legislação e do comportamento dos demais componentes do preço.
Outro ponto é que o subsídio funciona como um amortecedor diante da forte volatilidade internacional. O Brasil ainda depende de importações para complementar o abastecimento de diesel, tornando o mercado interno sensível às cotações do petróleo e dos derivados.
Para o produtor rural de Maringá e do Noroeste do Paraná, portanto, o principal efeito esperado é reduzir a pressão sobre o custo de produção e, principalmente, sobre o transporte da safra.
A medida já está em vigor, mas, por se tratar de medida provisória, ainda será analisada pelo Congresso Nacional, que poderá aprová-la, modificá-la ou rejeitá-la.
O subsídio não elimina, entretanto, outros fatores que pressionam o agronegócio, como preços dos fertilizantes, câmbio, fretes e custos financeiros. A tendência é que o diesel mais controlado ajude a evitar uma pressão adicional sobre as margens do produtor e sobre o custo final de circulação da produção agrícola.























