Economia entra em semana de cautela, mas Maringá mantém atividade em setores estratégicos

Construção civil, agronegócio e comércio exterior devem concentrar as atenções entre 24 e 28 de agosto, enquanto juros, inflação e dólar continuam determinando o ritmo dos negócios.
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A semana de 24 a 28 de agosto começa com um cenário de crescimento moderado e atenção redobrada aos custos, tanto no Brasil quanto em Maringá. O mercado financeiro acompanha a inflação, os juros, o comportamento do dólar e os sinais de desaceleração da atividade econômica.

A projeção mais recente do Boletim Focus mantém o crescimento do PIB brasileiro em 1,98% em 2026, enquanto a expectativa para a inflação permanece em 5,02%. A Selic, atualmente em 14% ao ano, tem previsão de encerramento de 2026 em 13,75%.

Para Maringá, o cenário é de continuidade dos negócios, mas com empresários mais seletivos nas decisões de investimento e financiamento.

Construção civil

A construção civil aparece entre os segmentos que sustentam a atividade econômica local. Maringá possui 98 empreendimentos residenciais em execução, com 11.245 unidades e mais de 1,42 milhão de metros quadrados em construção.

O setor também mantém forte participação no mercado de trabalho. São mais de 11 mil trabalhadores formais e, no primeiro trimestre, a construção respondeu por parcela significativa do saldo de novas vagas na cidade.

Nesta semana, o principal desafio continua sendo o custo do crédito. Com a Selic ainda elevada, financiamentos imobiliários, capital de giro e investimentos de maior porte permanecem mais caros. Por outro lado, a quantidade de obras em andamento indica que o setor entra na semana com atividade contratada e demanda ainda consistente.

Agronegócio

O agronegócio regional também deve acompanhar atentamente o câmbio e os preços internacionais. Uma eventual valorização do dólar melhora, em reais, a receita de produtores e empresas exportadoras, mas aumenta o custo de produtos importados.

Esse efeito é particularmente importante para fertilizantes, defensivos agrícolas, máquinas, peças e equipamentos.

No Paraná, as exportações alcançaram US$ 14,3 bilhões entre janeiro e julho, alta de 7% sobre o mesmo período de 2025. Soja, carnes, celulose, veículos de carga e outros produtos da cadeia agroindustrial estão entre os responsáveis pelo desempenho.

Importações e exportações

O comportamento do dólar será um dos principais indicadores para as empresas maringaenses nesta semana.

Na sexta-feira, 21, a moeda americana encerrou o pregão a aproximadamente R$ 5,14, depois de uma queda de 1%.

Para os importadores de Maringá, um dólar elevado significa maior custo em máquinas, equipamentos, componentes e insumos. Para os exportadores, o efeito pode ser positivo, já que a receita em moeda estrangeira ganha valor quando convertida para reais.

O Paraná apresenta atualmente saldo comercial positivo de cerca de US$ 1,5 bilhão, resultado de US$ 14,3 bilhões em exportações contra US$ 12,7 bilhões em importações nos primeiros sete meses do ano.

O que esperar da semana

Entre segunda e sexta-feira, o cenário mais provável para Maringá é de atividade econômica sem aceleração expressiva, mas também sem sinais de paralisação.

Construção civil e agronegócio devem continuar movimentando fornecedores, trabalhadores e serviços. No comércio exterior, empresas terão de administrar cuidadosamente contratos, estoques e exposição cambial.

O ponto de maior atenção continuará sendo a combinação entre juros elevados, dólar próximo de R$ 5,10 e inflação ainda acima da meta.

Para o empresário maringaense, portanto, a palavra da semana tende a ser cautela: manter investimentos necessários, controlar custos e aproveitar oportunidades de exportação, sem assumir compromissos financeiros excessivamente dependentes de juros ou câmbio.