Varejo sob pressão: quantas empresas quebraram ou pediram recuperação judicial no Paraná e em Maringá?

Varejo sob pressão: quantas empresas quebraram ou pediram recuperação judicial no Paraná e em Maringá?
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Em 2025, o comércio paranaense atravessou um cenário contraditório. Ao mesmo tempo em que o Paraná registrou a abertura de centenas de milhares de empresas, milhares de negócios, também, deixaram de existir formalmente ou passaram a enfrentar dificuldades financeiras que levaram à Justiça.

Dados da Junta Comercial do Paraná (Jucepar) mostram que, entre janeiro e outubro de 2025, foram abertas 308.507 empresas no Estado. No mesmo período, 175.370 negócios foram baixados, resultando em saldo positivo de 133.137 empresas. Na comparação com os dez primeiros meses de 2024, o saldo cresceu 12,85%.

Os números, entretanto, não significam que 175 mil empresas tenham “quebrado”. A baixa pode ocorrer por encerramento voluntário, reorganização societária, encerramento de atividade ou outros motivos administrativos.

A situação é diferente quando se observa a recuperação judicial. Nesse caso, a empresa reconhece dificuldades financeiras e busca proteção da Justiça para renegociar as dívidas e tentar preservar a atividade.

Em junho 2025, de acordo com levantamento do Monitor RGF-BIZDOC – plataforma que reúne dados sobre a saúde dos setores da economia brasileira -, havia 819 empresas varejistas em recuperação judicial. Um ano depois, em junho de 2026, eram 986; crescimento de 20,4%.

O levantamento mostra, ainda, uma característica importante do comércio: o setor registra proporcionalmente mais falências do que recuperações judiciais. Em junho de 2026, eram 686 empresas varejistas em situação de falência, diante de 986 em recuperação judicial.

Isso ajuda a explicar por que o número de empresas que simplesmente fecham pode ser muito maior do que aquele observado nos processos de recuperação judicial. Pequenos comerciantes, em especial, muitas vezes não reúnem patrimônio ou escala suficientes para justificar os custos de um processo de recuperação.

Paraná

No Paraná, os dados disponíveis mostram que o problema não ficou restrito às grandes redes. O Tribunal de Justiça do Paraná registrou, em 2025, diferentes processos de recuperação envolvendo empresas que atuam no comércio e em atividades relacionadas à distribuição.

Em Maringá, por exemplo, a Justiça processou pedidos de recuperação judicial de grupos empresariais durante 2025. Um dos casos envolve o Grupo Maringá Park Shopping, cujo pedido foi protocolado em agosto daquele ano e teve o processamento deferido em outubro. O processo reúne quatro empresas.

Também houve processos na 3ª Vara Cível e Empresarial Regional de Maringá envolvendo empresas com atividades comerciais. Um deles, distribuído em março de 2025, reuniu J.R. Bovinos, JR Bovinos Ltda. e VF Produtos Alimentícios Alimentos Ltda.

Outro processo iniciado em 2025 envolve a Fujisawa & Cia. Ltda., com tramitação na mesma estrutura empresarial regional de Maringá.

Os casos mostram que Maringá também está inserida no movimento de reestruturação empresarial, embora não exista, em uma única base pública, um número fechado que permita afirmar quantas empresas exclusivamente varejistas da cidade entraram em recuperação judicial ou faliram durante todo o ano de 2025.

O que os números mostram

A comparação mais simples é direta: o Paraná terminou 2025 com 133.137 empresas a mais no saldo entre aberturas e baixas nos dez primeiros meses, mas o volume de encerramentos chegou a 175.370 no mesmo período.

No varejo nacional, por outro lado, as recuperações judiciais continuaram crescendo e chegaram a 986 empresas em junho de 2026, contra 819 no mesmo mês de 2025.

Os números revelam, portanto, duas realidades simultâneas: o empreendedorismo continua crescendo, mas uma parcela dos negócios não consegue sobreviver ao ambiente de juros elevados, crédito mais restrito, endividamento e mudanças no comportamento do consumidor.

Para o comércio, a recuperação judicial é apenas uma parte da crise. Para muitos pequenos estabelecimentos, o caminho acaba sendo outro: reduzir a operação, encerrar as atividades e fechar as portas.