O comércio varejista em Maringá está em crise ou sob pressão pelas circunstâncias da economia?

O caso mais surpreendente é o das Casas Bahia, mas há outros grandes grupos que ajudam a mostrar que a dificuldade financeira das empresas brasileiras não está concentrada em um único setor.
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O varejo físico brasileiro está sob pressão e Maringá não é diferente, mas é importante separar duas coisas: o comércio não está “quebrando” como um todo; o modelo tradicional de loja física está passando por uma forte seleção.

Os dados mais recentes ajudam a entender isso. Em 2026, o comércio brasileiro continua gerando empregos em alguns períodos, mas foi o único dos cinco grandes setores a apresentar saldo negativo de empregos no acumulado do primeiro semestre, com redução de 3.514 postos. Ao mesmo tempo, serviços, indústria e construção ampliaram suas vagas.

A crise fica mais evidente quando se olha para grandes redes. A Casas Bahia, por exemplo, entrou com pedido de recuperação judicial em 16 de agosto, com dívida de R$ 17,3 bilhões, anunciando o fechamento de 298 lojas. A Tok&Stok/Mobly também está em recuperação judicial e registrou forte queda de vendas no segundo trimestre.

E Maringá?

Aqui o cenário é bem diferente de uma crise generalizada.

Os números disponíveis mostram que Maringá ainda apresenta expansão do mercado de trabalho no comércio. No primeiro trimestre de 2026, o comércio maringaense abriu 479 empregos formais, atrás apenas de serviços e construção entre os principais setores.

Isso é importante: se as lojas físicas de Maringá estivessem vivendo uma crise generalizada, seria esperado encontrar uma deterioração mais forte do emprego no comércio. Até agora, os números não mostram isso.

Mas há sinais de mudança no modelo.

Maringá mantém um mercado consumidor regional forte, com grande concentração de comércio e serviços. A cidade possui, inclusive, vários polos de compras e shopping centers, como Shopping Avenida Center, Shopping Maringá Park, Catuaí Shopping Maringá e Shopping Cidade Maringá.

Há ainda um dado paranaense interessante: a Fecomércio-PR apontou que o comércio varejista do Estado iniciou 2026 com estoque de 499.738 trabalhadores formais, 1,9% acima de janeiro de 2025. A entidade, porém, identificou acomodação do mercado de trabalho e redução em alguns segmentos, especialmente no comércio varejista não especializado.

Maringá não apresenta, neste momento, um quadro típico de crise empresarial

Até maio de 2026, Maringá registrou 1.485 novas empresas, excluindo MEIs, segundo o Painel Mensal da Jucepar. A cidade ficou em segundo lugar no Paraná, atrás apenas de Curitiba.

No primeiro trimestre de 2026, Maringá também foi a segunda cidade do Paraná com maior número de empresas beneficiadas pelo Selo de Baixo Risco, com 1.757 novos empreendimentos/filiais beneficiados.

E o cenário de 2025 também foi de expansão. O Paraná terminou janeiro-novembro de 2025 com saldo de 143.699 novas empresas, alta de 11,87% sobre o mesmo período de 2024.

Mas isso não significa que todas as lojas estejam crescendo

Aqui está o dado que considero mais importante para sua pauta.

Pesquisa da ACIM com 60 lojistas, divulgada em dezembro de 2025, mostrou que:

  • 33% disseram que venderam mais em 2025;
  • 33% disseram que venderam menos;
  • o restante relatou estabilidade ou não respondeu;
  • para 2026, 70% esperavam aumento das vendas;
  • 17% pretendiam expandir a empresa;
  • 42% planejavam investir em inovação.

Ou seja: o comércio de Maringá não estava vivendo uma retração generalizada no final de 2025.

E existe outro indicador forte

No primeiro trimestre de 2026, o comércio de Maringá gerou 479 empregos formais, mostrando que a atividade comercial continuava absorvendo mão de obra.

Isso combina com o movimento observado na cidade: a ACIM continuou realizando grandes campanhas de liquidação e eventos comerciais, com centenas de lojas participantes, inclusive em 2026.

Conclusão

Com os dados que estão disponíveis hoje Maringá está assim:

2026 → CRESCIMENTO MODERADO/ESTABILIDADE POSITIVA, e não crise.

O que existe é uma crise de determinados modelos de varejo, principalmente empresas grandes, muito endividadas e dependentes de financiamento.

É justamente aí que a situação de Casas Bahia é diferente da realidade média de Maringá.